quinta-feira, 31 de maio de 2012

COPY PASTE


Estou chocada.

Estava navegando na internet e olhando os sites e blogs de meus colegas de trabalho. De repente dei de cara com algo extremamente grave e desagradável.

Uma enfermeira, professora da UNIFESP simplesmente copiou várias páginas de meu site.
Ela não é psicóloga, mas faz psicoterapia de casal, individual e do sono do bebê, dentre várias outras. Não sei com que métodos que ela trabalha e sinceramente acho um absurdo uma pessoa que simplesmente faz uma pós graduação estar habilitada a exercer a profissão de psicóloga.

Se esta pessoa está habilitada, então por que não criou sua própria página, com seu próprio texto e conteúdo? Por que copiou o meu?

Estou pasma.

Liguei no Conselho Regional de Psicologia e eles me orientaram. Já entrei em contato com meu advogado para ver como tomar as medidas legais.

Mas isso me fez refletir sobre o mundo da internet.

Será que a internet é território de ninguém? Como fazer para que leis e regras sejam cumpridas?

Inúmeras vezes eu já vi e ouvi sobre crimes como racismo, pedofilia, bullyng , ameaças, extorsão, etc. Todos  feitos através da internet sem consequências maiores.  

O que posso dizer? Estou muito chateada. Essa pessoa tem quase 5 mil “amigos” no facebook. Está na televisão e até escreveu um livro. Por que precisou COPIAR  literalmente (COPY-PASTE) os textos do meu site?

É uma boa pergunta.

Mandei uma mensagem pedindo para ela retirar meus textos do ar e colocar textos dela. Ela ainda não respondeu. Espero que ela o faça o mais rápido possível.

E vocês o que acham disso?

Beijos desolados,
Renata
www.terapeuta.psc.br

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Envelhecer é difícil

Hoje de manhã acordei com a cara amassada.

Quando fui chamar minha filha mais velha pra terminar a lição de casa, aproveitei e dei uma olhada mais detalhada no espelho do quarto dela e a luz incidente vinda da janela foi impiedosa. O tempo passou.

A testa tem 2 linhas horizontais, típicas dos psicólogos que "entendem" o que o outro está sentindo ao franzir a testa. Entre os olhos a famosa ruga de quem faz uma força danada para pensar bastante.

Para fazer jus a ruga, comecei a pensar.

Outro dia, tudo o que eu queria era fazer 18 anos... Depois quis tanto casar, mas tanto, mas TANTO que casei 2x.

Nesse meio tempo fiz muitas coisas. Uma faculdade, 2 pós graduações, um mestrado, escrevi um livro, dei entrevistas para jornais, revistas, rádios e televisão. Mudei de casa várias vezes e o mais importante tive 2 filhas maravilhosas.

Trabalhei nas empresas que eu quis, montei meu consultório e hoje tenho uma sala só minha.

Quantas coisas que eu nunca achei que conseguiria...

Olhando no espelho e vendo as rugas da minha cara, chego a ter certo orgulho delas... Noites mal dormidas, noites super bem dormidas, medos, esperanças, preocupações, certezas, saudades... Quanta gente eu já conheci, quantas pessoas já me tocaram com suas estórias...

As rugas são a prova de que eu vivi. E isso é muito, muito gostoso. Poder olhar para trás e pensar em todas as coisas que eu já fiz e... O que eu tenho para fazer?

Bom, ai eu já comecei a não gostar mais. Daqui para frente, o inexorável destino da vida, a morte vai se aproximando cada vez mais e com ele as limitações da velhice.

A juventude é bela. Minhas filhas são lindas, com a pele lisinha, brilho nos olhos e uma ingenuidade no olhar que só quem viveu pouco tem. Será que é possível envelhecer bela?...

Será que podemos adquirir outro tipo de beleza que não a da juventude? Ou será que eu também vou correr atrás do elo perdido, tentando parecer mais jovem me esticando até deformar?

Eu não quero ter 60 anos com cara de 20. Acho isso muito estranho.

E se eu tiver 60 anos com cara de 60 anos? Pode?... Estarei errada?...

Na nossa sociedade é proibido envelhecer. Se você envelhece, você é desleixada. Se você tem os cabelos brancos então!... É quase um crime, uma ofensa pública.

O que significa isso? Por que negamos o que é absolutamente natural?


Além da resposta óbvia, lutar contra o envelhecimento alimenta uma indústria enorme, parecer mais jovem é parecer mais distante da morte.

Envelhecer nos força a admitir nossa finitude. Se somos finitos, não temos todo o tempo do mundo para fazer tudo o que queremos.

Para a mulher isso é mais gritante ainda porque nós temos um relógio biológico que avisa que nosso tempo de ter filhos existe ou terminou. E se terminar... Não há plástica, creminho, laser, nem nada que possa vencer o climatério. Os óvulos também envelhecem...

A ciência avança tentando driblar a morte, congelando óvulos e embriões, fazendo reposição hormonal e tudo o que possa nos convencer de que a morte é algo tão distante que a gente nem precisa pensar nisso agora.

Como rebelde que sempre fui, vou na contra mão da ciência e discordo! Será que não é melhor reconhecer nossa finitude e justamente por isso gozar a vida da melhor maneira possível?

Se eu sei que meu tempo é limitado, lembrando disso, eu posso aproveitá-lo.

Essa é a parte boa da vida. Aproveitar o tempo, fazer hoje e não deixar para amanhã, viver tudo o que temos para viver, chorar e sorrir, sem medo.

Mas a parte ruim é que um dia teremos que nos separar daqueles que amamos. É preciso muita coragem para admitir isso. Soa mórbido, mas é a mais pura verdade.

E o que fazer diante dessa triste realidade?

O fato da festa um dia chegar ao fim, não significa que a gente não possa se divertir enquanto ela acontece!

E no mais, ninguém sabe como ela termina. Se é que realmente termina!...

Um forte abraço cheio de vida e com algumas rugas,
Renata
www.terapeuta.psc.br



domingo, 20 de maio de 2012

Como fazer para o recém nascido dormir bem

Sempre eu recebo e mails de mamães que querem saber o que fazer para que seus bebês recém nascidos, ou menores de 6 meses durmam bem.

A resposta é sempre a mesma. Antes dos 6 meses, é normal e esperado que o bebê acorde para mamar de madrugada. No caso dos recém nascidos, muitos médicos orientam que o bebê não passe mais de 4 horas seguidas sem se alimentar. Depois dos 2 meses, a maioria dos bebês não precisa ser acordada para mamar durante a noite.

De qualquer forma, todo mundo quer que o bebê durma o maior número de horas saudáveis possível.

Quando me perguntam como fazer isso, eu sempre explico que dar uma banho seguido de massagem, desde o nascimento é o segredo para ter um bebê calmo e relaxado.

Mas muitas mães tem medo de fazer isso ou não conseguem imaginar como podem dar um banho relaxante e fazer uma massagem em um bebê tão pequenino.

Esses dias eu recebi esse vídeo e achei que as mamães poderiam gostar bastante, pois ele mostra uma enfermeira dando um banho bem relaxante... 

Quando minha filha mais velha nasceu, eu me lembro que a enfermeira do hospital também deu um banho assim nela. Uma das coisas que eu notei neste vídeo e também no banho que a enfermeira deu em minha filha, foi que em ambos os casos não ouve preocupação com o fato da água entrar nos ouvidos.

Realmente, eu sempre molhei os ouvidos de minhas 2 filhas e elas nunca tiveram dor de ouvido. O segredo? Jamais introduzir hastes flexíveis com ponta de algodão nos ouvidos. A cera protege o ouvido e ao contrário do que a imensa maioria das mães fazem, o ouvido só pode ser limpo por fora e jamais por dentro. Quem me ensinou foi o pediatra.

Outro ponto que achei importante no vídeo é a tranquilidade e segurança com que a enfermeira segura o bebê. Na nossa fantasia, achamos que vamos afogar o bebê na água, mas eu nunca ouvi falar de uma mãe que tivesse feito isso. Pode confiar no seu instinto que você é totalmente capaz de segurar o bebê e banhá-lo. Essa tranquilidade e segurança são muito importantes, pois a gente transmite isso ao bebê.

Depois do banho, já bem relaxado, podemos fazer a massagem como mostra o vídeo.

Em tempos de friozinho, é importante que o ambiente esteja aquecido e as janelas fechadas, evitando correntes de ar.

Espero que tenham gostado!

Dando um banho bem gostoso, com calma, tranquilidade e  muito amor e carinho, seguido de uma massagem relaxante, todos os dias, com o tempo o resultado poderá ser observado.

Um forte abraço,
Renata
www.terapeuta.psc.br

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Mães super protetoras x Mães ausentes


Todo mundo sabe como é difícil alcançar o equilíbrio. Por mais que a gente tente, não acredito em equilíbrio permanente ou absoluto. Este seria sinônimo da morte, pois a vida é movimento.

Assim como nosso coração faz movimentos de sístole e diástole, nosso pulmão inspira e expira o ar, nossos músculos contraem e relaxam; para mantermos nos vivos, precisamos saber dançar a dança dos opostos sempre buscando o equilíbrio.

Mas e quando ele não acontece?

É ai que mora o perigo. Quando tendemos a um extremo, seja ele qual for, abrimos mão de muitos aspectos importantes da experiência. 

Assim, a mãe ausente se priva do convívio com seus filhos, terceiriza a educação deles e perde os prazeres e desprazeres da maternidade. É uma experiência incompleta. O tempo passa rápido e os momentos perdidos não voltam mais...  

Por outro lado, a mãe super protetora sufoca com sua ansiedade o potencial dos filhos. Não acredita que eles possam se virar sozinhos e gera crianças dependentes e adultos inseguros. Muitas vezes a mãe super protetora abre mão de sua realização pessoal em prol dos filhos.

Em ambos os casos a conta uma hora acaba chegando.

As  atitudes extremas trazem consequências tanto para as mães, como para os filhos e para a família.

Os filhos de mães ausentes costumam gritar por atenção das mais diversas formas. A mais comum delas é fazendo exatamente o contrário do que se espera deles. É um pedido de socorro, uma forma de fazer com que olhem para eles e seu sofrimento. Muitas vezes os pais e mães ausentes tentam compensar a criança com bens materiais, tentando preencher um vazio emocional com presentes.

É um erro muito comum e que pode inclusive desenvolver comportamentos indevidos, como o daquelas pessoas que quando estão chateadas precisam sair às compras.

No caso da super proteção, as mães criam uma espécie de obsessão pelos filhos que chega até a assustar. Só pensam nas crianças 24hs por dia, 365 dias por ano. Os diálogos são sempre sobre os mesmos "obsessuntos". Temem o choro e a frustração dos filhos e acham que qualquer desconforto pode lhes causar um mal irreversível. 

Quando as crianças crescem um pouco, as mães super protetoras cercam e controlam cada passo e cada espirro, como se a vigilância permanente pudesse evitar algum mal eminente, quando na verdade o que elas querem mesmo é manter os filhos próximos e dependentes suprindo uma carência que no fundo é delas.

Mas uma hora essas crianças acabam virando adultos (se não Peter Pans?) e se conseguem superar esse complexo, vão levantar voo em direção a sua vida e projetos. E ai? Qual será o papel dessa mulher? Avó super protetora? Ou será que vai sobrar um vazio enorme, fruto da ausência de investimento em si mesma, em seus sonhos e seu desenvolvimento?

As mães ausentes também pagam o preço. Filhos emocionalmente distantes. Ora, nada mais justo, colhemos o que plantamos.

Claro que extremos como os descritos aqui são raros. Mas é importante apontá-los para que a gente cuide, todos os dias, para não escorregar demais para nenhum dos lados.

Mesmo que o equilíbrio total e absoluto não exista, buscá-lo é sempre uma boa ideia.

Assim, vamos vivendo a experiência da maternidade, errando, acertando, aprendendo e teimando todos os dias, pois ser mãe não tem feriado, dia santo e nem férias.

Um beijo para todas as mamães que assim como eu, são humanas e por tanto imperfeitas!

Renata
www.terapeuta.psc.br

*Desenho de Ziraldo



quarta-feira, 16 de maio de 2012

Os minutos que antecedem o sono do bebê

Sempre que escrevo sobre o sono do bebê, acabo contando a história da minha filha mais velha, Nicole. Foi com base na experiência que tive com ela que desenvolvi o método que deu origem ao livro "O Sono do Meu Bebê", editora CMS.

Mas hoje eu quero falar da minha filhota mais nova, a Laura.

A Laura é um encanto! Linda, carinhosa, bem humorada, quase não dá trabalho. Está certo, quando ela nasceu eu já estava bem mais madura, já tinha tido a experiência da maternidade e já havia feito um mestrado em psicologia clínica onde estudei muito sobre desenvolvimento infantil. Tudo isso é verdade...

O fato é que nós nos curtimos de uma forma muito gostosa. Mas os minutos que antecedem o sono dela eu considero especiais.

Depois do banho e da massagem, a Laura brinca um pouco na sala até chegar o horário dela dormir. Então ela toma o leitinho dela e nós começamos o momento que eu chamo de "namoro".

Só eu e ela, no escurinho do quarto, iluminado apenas com uma luz azul bem fraquinha, eu sento na cadeira de balanço e canto canções de ninar. No meio das músicas ela me faz carinho, sorri, aperta meu nariz, segura minha mão... É um momento simplesmente delicioso. Trocamos olhares, eu faço carinho nos cabelos acobreados dela, abraço seu corpinho fofinho com todo amor e carinho que brota do coração de uma mãe apaixonada por seus filhos.

Eu tenho uma sequência das músicas que eu canto para ela. No final da sequência ela já sabe que vai para o berço dormir, mas muitas vezes antes disso, quando ela está com um pouco mais de soninho, ela mesma aponta o berço me pedindo para eu colocá-la para dormir. Muito fofa!...

Então eu a coloco no bercinho, digo "Boa noite meu amor, te amo muito!" dou um beijo e saio do quarto. Ela dorme bonitinha até o dia seguinte, conciliando o sono sozinha, uma graça!...

Neste momento eu sempre tento me conectar de alguma maneira com todas as mamães que leram meu livro. Eu queria que todas soubessem que isso que eu tenho aqui em casa é possível sim... Foi essa a minha intenção ao escrever o livro.

O tempo passa muito rápido. Quero aproveitar o blog para deixar registrado aqui esses momentos tão felizes que antecedem o sono.

Laura, minha pequenina, obrigada por me proporcionar essa alegria todos os dias!

Muitos e muitos beijos no escuro do seu quarto,

Mamãe

www.terapeuta.psc.br




segunda-feira, 14 de maio de 2012

Aborto espontâneo e o drama da perda gestacional

Hoje vou falar de um assunto delicado, o aborto espontâneo.


Esse assunto é delicado porque a maioria das pessoas acha que não devemos falar sobre isso. A mulher que sofre um aborto espontâneo passa por um processo de luto. Mas esse luto não é reconhecido pela sociedade. 


Quem passou por isso, como eu, conhece bem a dor que é perder um filho que nem chegamos a conhecer. Mas será que não chegamos a conhecer mesmo? Só conhecemos nossos filhos depois que nascem vivos? Ou será que a relação começa ainda no útero, ou até antes, quando sonhamos e desejamos a criança?


Perder um bebê é muito, muito, muito difícil. 


Quando me perguntam quantos filhos eu tenho, eu penso em 3, mas digo 2 porque pega mal contabilizar a terceira. Sim, era outra menininha que dei o nome de Sara. Mas eu não posso falar dela porque fica parecendo drama mexicano. As pessoas logo dizem, "não fique triste, se ela não veio é porque a natureza é sábia e fez o que deveria ter feito". Como podem saber?...


Hoje existe em Portugal um projeto criado por Maria Manuela Pontes chamado Projeto Artémis que apoia mulheres que passaram por isso. Este projeto deu origem ao livro "Maternidade Interrompida - O drama da perda gestacional" Ed. Ágora, 2009.


Nele a autora colocou vários relatos de mães que passaram pela perda de um ou mais bebês. Ao ler o livro eu pude me identificar com a dor daquelas mães e isso fez com que eu me sentisse melhor. Mas confesso que quando comprei o livro, eu queria muito que ele me ajudasse a lidar com o luto, com a culpa, com a saudades e todos os sentimentos que rondavam a minha cabeça.


Sim, os sentimentos são muitos. Nessa hora com certeza absoluta vale a pena investir na terapia. Ter um espaço para falar sobre isso, para chorar a perda, parar e dar um significado a tudo o que foi e não foi vivido é muito importante.


Uma coisa que aprendi é que o tempo de gestação não é tão relevante quanto se imagina. Filho é filho e ponto final. A mãe que perde um bebê de poucas semanas sofre também. E esse sofrimento é legítimo e precisa ser respeitado tanto quanto a mãe que perde um bebê maior.


Os médicos que acompanham esse processo precisam ser sensíveis a esse fato, principalmente em tempos de inseminação artificial e em vitro. Muitas vezes a medicina se refere aos filhos de uma pessoa como embriões, sem considerar que são vidas e todo o significado que carregam. 


Uma das coisas mais difíceis do aborto espontâneo são as perguntas sem resposta. Os famosos "E se..." que rondam a cabeça da gente. 


Lidar com a impotência, aceitar o vazio e a dor que sentimos, sem negar a importância dos fatos nesse momento tão triste é um processo longo, porém necessário. Não adianta minimizar o ocorrido, ou fingir que nem ligou. Perder um filho é sempre uma perda difícil.


Nessa hora, se for possível, o pai pode ajudar muito. Ouvir, conversar sobre o assunto, abrir espaço para o choro e acolher os sentimentos que surgirem de ambos os lados, é algo que pode unir muito o casal. 


Unidos, fica mais fácil voltar a sonhar e acreditar que o projeto da família pode e vai dar certo; aos poucos vamos aprendendo a lidar com a dor, nos preparando para uma nova gestação, caso seja o desejo do casal.


A gestação seguinte costuma ser muito tensa. O medo de perder o bebê novamente é permanente e qualquer sinal de desconforto pode gerar muito estresse. Cada ida ao banheiro   é preocupante. Mas até com isso podemos aprender a lidar. 


No meu caso, depois da Sara, veio a Laura. Com todos os cuidados necessários, deu tudo certo! Mas no meu peito sempre haverá o cantinho reservado para a minha pequena que ficou pouco tempo conosco, mas que está sempre comigo, nos meus pensamentos, na minha memória e no meu coração.


Querida Sara, este post é para você, onde quer que esteja, com muito amor da sua mamãe,


Renata









sexta-feira, 11 de maio de 2012

Maternidade e a culpa, amor e limites

Quando minha filha mais velha nasceu, resolvi que seria uma mãe "boa o suficiente". Resolvi que não cometeria os mesmo erros que minha mãe (ser humano) havia cometido, proveria as necessidades de meu bebê e não mediria esforços para que o mundo fora do útero fosse o mais confortável e amoroso possível.

Assim comecei minha primeira experiência de maternidade.

Ao primeiro "piu" eu corria e pegava ela no colo, interessada e querendo saber o que aquele sonzinho significava.

Nos apaixonamos. Eu por ela e ela por mim. Aquele ser dependente, uma bonequinha tão linda e tão pequenina...

Passei a provê-la de todas suas necessidades, evitando a todo custo que ela chorasse, que ficasse brava, que sentisse qualquer desconforto. Logo eu estava vivendo em função dela.

Ir ao banheiro era complicado. Tomar banho, ou ter um tempo só para mim começou a ficar difícil.

Como eu amamentava, ela passou a querer mamar toda hora, depois, a cada meia hora e depois a cada 20 minutos, durante o dia e a noite.

Em pouco tempo eu estava exausta.

Aos 8 meses eu resolvi que era hora de repensar meu comportamento. Não aguentava mais aquela situação. Nem minha filha, nem eu dormíamos. Meu humor estava péssimo e eu vivia cansada.

A primeira pergunta que eu me fiz foi: "Por que para mim é tão difícil dizer não para minha filha?"

Colocar limites, vê-la ficar brava, chorar, ou qualquer coisa que simbolizasse algum sofrimento era impensável para mim. Eu me sentia muito, muito culpada mesmo.

Para piorar a situação, eu era da linha que achava que a simbiose deveria ser total, ao menos no primeiro ano de vida e as mães que pensavam como eu era tão radicais, que diante da menor reclamação do bebê, já me olhavam com aquele olhar que dizia: "Você é uma megera malvada, pobre criança! Faça alguma coisa mãe psicóloga!"

Então eu comecei a perceber que a culpa que eu sentia era algo que vinha de fora e que reverberava dentro de mim. O olhar de outras mães, ou outras pessoas que achavam que deveríamos reproduzir fora do útero o paraíso perdido as custas do sacrifício materno, me incomodava demais.

E da onde veio isso?

Se a nós voltarmos no tempo, veremos que nossos avós tiveram uma educação bem diferente. Do ponto de vista histórico, faz pouquíssimo tempo que a psicologia existe. As pessoas educavam seus filhos de uma maneira muito mais dura. Nas escolas havia castigos físicos, como a palmatória. Estes castigos eram muito cruéis e frequentes. O abuso da autoridade, a falta de diálogo e o distanciamento, principalmente da figura paterna, era uma realidade nas famílias comandadas pelo pai provedor.

Por volta dos anos 60 e após o advento da pílula anticoncepcional, com a entrada da mulher no mercado de trabalho de uma forma mais significativa, deu-se início a um movimento contrário a toda essa cultura da autoridade e assim surgiram os profissionais que passaram a questionar as formas de educação vigentes até então.

Jung já dizia que para conseguirmos chegar ao equilíbrio, precisamos antes fazer um movimento forte no sentido contrário. Assim funciona a consciência, um jogo entre aspectos opostos.

Desse novo movimento, contrário ao autoritarismo, apareceram os autores que defendem essa postura materna onde a dedicação e entrega são totais e a mãe passa a viver em função dos filhos.

É uma ideia irresistível para quem acaba de receber um bebê nos braços. Dá vontade mesmo de largar tudo e só ter olhos para aquele pequeno milagre.

Nos primeiros meses de vida do bebê é normal e esperado que os pais se dediquem de forma quase que exclusiva ao bebê. Principalmente a mãe que amamenta. Mas aos poucos, por volta dos 6 meses de vida, é extremamente importante que o bebê gradativamente possa experimentar doses toleráveis de frustração.

Hoje já se sabe e Erich Noimann, especialista em desenvolvimento infantil já dizia, que os limites são tão importantes para o desenvolvimento saudável da psique, quanto o amor.

Colocar limites não significa ser ruim ou malvada. Significa sim, que em alguns momentos a mãe pode e DEVE dizer não ao seu filho. Esse "não" é um dos primeiros de muitos que irão acontecer pela vida e a criança precisa aprender em casa, em um ambiente seguro e amoroso a ser capaz de tolerar a frustração.

Dizer não e colocar limites inclui não amamentar um bebê de mais de 6 meses várias vezes durantes a madrugada (salvo sob orientação médica em casos de doenças específicas e/ou baixo peso). Isso gera um hábito ruim, prejudica as funções metabólicas próprias do sono e sacrifica a pessoa que se mantêm acordada durante a madrugada, por exemplo.

Sei que muitas mães podem achar que é cruel não amamentar um bebê que teoricamente estaria com fome. A ideia não é deixar o bebê passar fome, mas sim prover suas necessidades físicas e emocionais durante o dia e não durante a madrugada.

Mas dizer não gera culpa. E o olhar do outro dentro de nós acusa, como se a mãe que diz "não" fosse uma espécie de bruxa má a ser queimada na fogueira da simbiose.

Em um curto período, as mães simbióticas ficam cansadas, sem energia para outros filhos, sem tempo e vontade para dedicar ao marido, ao trabalho e ao próprio desenvolvimento. Só falam nos mesmos assuntos, filhos, escola, babá, viroses, pediatras, festas infantis, etc... Quando na verdade a vida é tudo isso SIM, e muito mais.

A longo prazo, a criança que não recebeu limites na infância e foi super protegida, fica infantilizada, insegura, dependente e muitas vezes mal educada. Alguns se transformam em tiranos, exigindo que os pais realizem todos seus desejos. Outros, na adolescência chegam até abusar de substâncias químicas, da velocidade dos carros, do sexo sem proteção, a procura desesperada por um limite, ainda que este seja o de seu corpo ou mesmo da morte, o único limite do qual nenhum de nós escapa.

Para não chegarmos nesse ponto, precisamos colocar limites em nossos filhos. Assim, vale a pena dizer NÃO.

Feliz dia das MÃES SEM CULPA!

Muitos beijos com muito carinho de outra mãe,
Renata
 www.terapeuta.psc.br




quarta-feira, 9 de maio de 2012

5 Mitos sobre Psicoterapia:




1.       Psicoterapia é só para quem está muita mal.

A psicoterapia é uma ferramenta que promove o autoconhecimento. Quem está mal e quer entender o motivo, ou melhorar sua condição, pode e deve fazer terapia. E quem não está mal, mas quer investir no seu desenvolvimento, cuidar de si e melhorar suas relações consigo próprio e com o mundo, também pode usufruir dessa ferramenta.

2.       Quem vai ao psicólogo é louco.

O psicólogo atende uma demanda que pode variar muito. Ele pode trabalhar em escolas, em hospitais, em empresas, no consultório, conselho tutelar, órgãos públicos, aplicando testes, em pesquisas, em vários campos.  Algumas pessoas que se beneficiam do trabalho do psicólogo tem questões mais complexas e outras questões mais simples. É como qualquer outro profissional da saúde. Um dentista, por exemplo, em seu dia de trabalho pode atender alguém para fazer uma limpeza ou uma profilaxia, e em seguida outra pessoa que precisa tratar um canal. Ir ao dentista não significa que você está com os dentes comprometidos.  O problema é que ainda existem pessoas que tem preconceito em relação aos cuidados psicológicos.

3.       Estou tomando remédio prescrito pelo psiquiatra, então não preciso ir ao psicólogo.

            Esse é um erro muito comum. A pessoa começa a se tratar com o médico psiquiatra, passa a tomar medicação, melhora e acha que está tudo resolvido. Neste caso estamos tratando o sintoma e não a causa. Se a causa do problema não for investigada e trabalhada, as chances do sintoma voltar com o fim do tratamento medicamentoso são altas.

4.       Sinto que preciso fazer terapia, mas prefiro fazer compras (shopping terapia) ou gastar esse dinheiro com lazer.
     
           Aqui nós temos o típico “tapar o sol com a peneira”.  Fazer comprar e se distrair pode até trazer bem estar momentaneamente, mas não vai resolver suas questões. É uma ilusão achar que a emoção das compras ou de um cineminha vai curar a falta de sentido na vida, a insatisfação no casamento ou aqueles medos que incomodam tanto, só para citar exemplos.

5.       Terapia é coisa de rico, é um luxo só para quem tem dinheiro sobrando.

           Existem profissionais que cobram mais caro e profissionais que cobram mais barato como em qualquer outra profissão. Ao contrário do que se pensa, fazer terapia pode ser muito mais barato do que ir ao salão de cabeleireiros por exemplo. Cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo.


Vale a pena investir em si mesmo!

Um forte abraço,

Renata 
www.terapeuta.psc.br

terça-feira, 8 de maio de 2012

Mães que trabalham

Hoje quero falar de um assunto muito importante. O trabalho das mulheres que são mães.

Na categoria das que trabalham, existem aquelas que trabalham fora de casa e as que trabalham em casa.

As que ficam em casa podem trabalhar para empresas tendo o escritório em suas próprias residências, ou trabalhar cuidando da casa e da educação dos filhos, o que também dá muito trabalho.

Eu acho estranho quando eu pergunto para uma mulher o que ela faz e escuto: "-Nada, eu só cuido da casa e das crianças." Como assim só?... Manter o funcionamento e a rotina da família envolve uma série de tarefas como ser motorista, governanta, relações públicas, psicóloga e até advogada.

Trabalhar como mãe 24 horas pode ser mais estressante do que se imagina. O convívio permanente exige uma dose extra de paciência. Reservar um tempo só para si pode ser uma boa maneira de "oxigenar" as ideias e voltar mais relaxada para casa.

As mães que tem seu escritório dentro da residência precisam ser muito disciplinadas. Separar o momento de estar com a família e o de trabalhar é tarefa herculana. Como resistir ao chamado dos filhos no meio do trabalho?... Disciplina e organização parecem ser a chave do negócio. O lado positivo é que o tempo que seria perdido no trânsito, por exemplo, pode ser gasto de outra forma, um benefício e tanto para as moradoras das grandes metrópoles.

E tem também aquelas que, como eu, trabalham fora de casa. Neste caso muito provavelmente a mamãe precisará de ajuda, seja de uma funcionária, de um familiar, ou até mesmo de um(a) amigo(a) de confiança. Colocar as crianças na escola ajuda, mas não resolve, pois existe o período de férias e nem sempre a gente consegue estar em casa na hora que as crianças chegam.

Mas o pior inimigo do trabalho de uma mãe é a culpa.

Será que sou uma mãe boa o suficiente? Será que o tempo que passo com meus filhos é de qualidade? Será que eu poderia ter feito mais? Feito melhor?

Eu não acho que a culpa é totalmente ruim. Em parte ela é necessária pois nos leva à reflexão, a auto-análise e ao cuidado para que tudo saia da melhor maneira possível. Mas por outro lado, culpa em excesso prejudica a mãe e as crianças.

Algumas mães sentem que nunca são boas o suficiente e acabam super protegendo seus filhos. Outras compensam sua culpa mimando ou enchendo a criança de presentes e bens materiais.

Não adianta nos sentirmos culpadas por sermos imperfeitas... Mas podemos aceitar que vamos fazer o que é possível, aquilo que damos conta. Talvez o ideal de mãe seja um objetivo inatingível. O importante não é alcançar esse ideal, mas sim viver a maternidade dentro da nossa realidade, dos nossos valores, do nosso tempo.

E assim cada mãe e sua família vai encontrando sua forma de ser e estar no mundo.

Um forte abraço,
Renata

Mamães na Terapia

Uma coisa que eu ainda noto em muitas pessoas é a resistência que elas tem em fazer terapia.

Tudo bem, sei que sou super suspeita para falar, mas o que poucas pessoas lembram, é que a terapia é uma ferramenta maravilhosa, que traz inúmeros benefícios e repercute em todos os campos da vida da pessoa.

O auto-conhecimento ajuda na vida pessoal, profissional e familiar. Ele não tem fim. Podemos nos aprofundar o quanto quisermos, e quanto mais nos conhecemos, mais liberdade temos para tomar nossas decisões livres de medos e preconceitos.

A maternidade costuma trazer à tona muitas questões, principalmente em relação a feminilidade, a sexualidade, a relação com o próprio corpo, com os próprios pais, a vida profissional, a vida conjugal e uma série de outros aspectos que podem fazer da terapia algo muito rico e interessante!

Mas por que ainda pensamos na terapia como o último recurso dos desesperados?

Uma grande bobagem. Terapia é uma delícia! Um espaço só nosso para falarmos e pensarmos sobre nós e nosso mundo. É um carinho para nós mesmos, um promotor do desenvolvimento psíquico.

E o que isso pode ajudar na criação de nossos filhos?

Ser mãe, mulher, amiga, esposa, amante, educadora, profissional bem sucedida, dona de casa, magra e saudável no mundo de hoje não é tarefa fácil. Administrar toda essa demanda requer muita habilidade. Os conflitos inevitavelmente acabam surgindo e a terapia ajuda muito a resolvê-los.

Assim, uma mamãe mais tranquila, mais realizada e mais feliz também terá filhos assim. Claro que perfeição não existe e como humanas que somos, os erros sempre farão parte da vida. Mas isso não nos impede de querer e poder melhorar sempre!

Um forte abraço!
Renata

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sobre o Livro "O Sono do Meu Bebê"

Este primeiro post quero dedicar à todas as mamães e papais que confiaram o sono de seus bebês ao meu método.

Mas que método é esse?

Em 2002, com o nascimento de minha filhota Nicole, eu me vi em apuros com relação ao sono dela e o meu.

Sai em busca de bibliografia que pudesse nos ajudar a dormir durante a noite toda, mas não gostei de nada do que eu li. Não queria deixá-la chorando por longos períodos, não queria levá-la para minha cama, mas ao mesmo tempo estava exausta e cansada de acordar inúmeras vezes durante a noite...

Foi então resolvi desenvolver um método próprio, baseado no que havia lido e no que havia aprendido na faculdade de psicologia. O método funcionou e eu resolvi fazer o mestrado sobre o assunto para poder publicar um livro que pudesse ajudar outras mães que estivessem em apuros assim como eu estivera um dia.

O mais interessante disso tudo, foi que durante o mestrado eu descobri várias outras coisas sobre o sono e o desenvolvimento infantil que pretendo contar para vocês neste blog. Uma delas é que o fato do bebê não conseguir dormir durante a noite não é culpa nem da mãe, nem do bebê, mas está ligado a maneira como a relação mãe e filho se estabelece, pois o momento do sono é um momento de separação e para que essa separação possa ocorrer de forma tranquila, é necessário vários ingredientes psicológicos que a gente muitas vezes nem imagina!...

Com base em tudo isso e muito mais, o livro "O Sono do Meu Bebê" Ed. CMS foi lançado no final de 2009 e é um grande sucesso! Sinto me realizada e muito feliz em poder ajudar outros pais a voltarem a dormir durante a noite toda!

Fiquem ligados no Blog! 


INAUGURAÇÃO!

Hoje é um dia muito especial!

Depois de muito ensaiar e após muitos pedidos, finalmente dei início ao meu blog sobre Psicologia, Terapias individual e de casal e claro o sono dos bebês!

Pretendo falar sobre todos estes assuntos, escrevendo livremente e se possível interagindo com todos aqueles que tiverem vontade de trocar ideias comigo.

Este é um espaço democrático!

Aceito sugestões sobre temas, pois quero ter um canal de diálogo aberto com o mundo!

Para quem tiver interesse, existe meu site: www.terapeuta.psc.br e estou também no Twitter @renatasoifer