segunda-feira, 2 de julho de 2012

Rótulos e a dinâmica dos grupos

A menina que caminha pelo pátio sozinha durante o recreio. Aquela prima que ninguém gosta muito e todo mundo ADORA falar mal. O funcionário errado que toda hora toma bronca do chefe, por maior ou menor que seja seu erro.

Não é difícil lembrar várias situações onde notamos alguém excluído ou diferente que destoa do grupo.
E por que isso acontece?

Os grupos tem sua faceta sombria. E todo grupo tem.

Para tentar entender essa dinâmica, há muitos anos atrás eu li um livro fantástico chamado "O Complexo de Bode Expiatório" da Sylvia Brinton Perera Ed. Cultrix, para quem tem interesse vale a pena. Esse foi um dos livros que ajudaram a elucidar essa questão.

Jung já dizia que nossa consciência é dual, ou seja, ela separa o mundo e as coisas em opostos. Assim temos o bom e o mau, o claro e o escuro, o certo e o errado, o dia e a noite e por ai vai...

O problema começa quando não conseguimos admitir nossos próprios aspectos sombrios, precisando depositá-los no outro.

Assim, eu fico "limpinho" e o outro, eleito pelo grupo, é quem carregada a sombra repleta de "sujeira".
Eloisa Pedrodo Fiori, em texto para o Instituto Reichiano diz :"O termo bode expiatório é utilizado para designar  indivíduos apontados como causadores de infortúnio. São apontados como causadores do mal e expulsos do círculo da família ou da sociedade para  livrar os acusadores da culpa, e para fortalecer-lhes o sentido de poder e integridade."

Esse é o funcionamento dos grupos. Vemos assim nas escolas, na política, nas instituições, empresas e nas famílias.

Colocar o rótulo de bode expiatório em outrem trás um alívio e prazer imediatos ao acusador. Ele não precisa mais lidar com a sua própria sombra, basta projetá-la no outro. Assim tudo que é impróprio, inadequado, ou diferente dos padrões de comportamento estabelecidos pelo "Clã", é expurgado na piada maldosa, no comentário cochichado ao pé do ouvido ou nos olhares cúmplices que se cruzam na sala de aula ou em qualquer outra sala.

Mas como todo relacionamento, o bode expiatório eleito, ainda que de forma inconsciente também contribui para que essa dinâmica ocorra. Fiori explica: "Estes indivíduos identificam-se com as inaceitáveis qualidade da sombra do outro e sentem-se responsáveis por algo além de sua parcela individual de sombra. Arcam além de sua própria sombra, com a sombra alheia."

O cuidado aqui precisa ser maior no caso das crianças.

Quando nós pais exigimos mais do que a criança pode oferecer, quando passamos a ideia de que a criança não corresponde às nossas expectativas e que é inadequada, sem perceber podemos estar colocando-a no papel de bode expiatório.

Não é um processo consciente.

Esse processo só se torna necessário se nós não demos conta de nossa própria sombra.

Aos educadores fica a dica. Nas escolas a dinâmica de rotular um aluno, de afastar a criança mais sensível ou que por algum motivo destoa do grupo, favorece o rótulo de  bode expiatório e coloca a criança em um papel que muitas vezes ela vai carregar pela vida toda.

Precisamos começar a pensar em uma política escolar, familiar e social de inclusão, revendo nossos comportamentos, admitindo nossa parcela de culpa, de tudo o que julgamos feio e errado, para que o outro não seja necessário como lata de lixo.

É um processo longo, mas importante. Só assim acabaremos com o bullyng, com as panelinhas e começaremos a experimentar um novo modelo, onde cada um é responsável por seu lado menos "nobre", seu lado errado, equivocado e imoral, sem precisar projetá-lo no outro, o que sem "sombra de dúvida" irá promover muito mais crescimento, auto-conhecimento e harmonia consigo mesmo e nas relações.

Pode parecer utópico, mas eu acredito.

Beijos e Abraços a todos que se propões a admitir e integrar sua própria sombra,
Renata

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Ensaio sobre a inveja


Não quero fazer um discurso sobre a teoria psicanalítica, nem repetir mais do mesmo citando todos os autores que brilhantemente já fizeram isso. Quero pensar a inveja nos tempos atuais, sobre o meu olhar de psicóloga.


A inveja é politicamente incorreta. Por isso falar da inveja está cada dia mais difícil.

Mas nem por isso ela deixa de existir. A inveja é humana.

Em nosso mundo consumista, consumimos tudo. Desde objetos, bens materiais, até as relações. Tudo é frágil, tudo é relativo. As propagandas, revistas e a internet mostram pessoas sempre felizes. Há pouco espaço para a reflexão, para um olhar singular. Tudo é massa. Eu quero o mesmo que todos querem. A indústria decide o que todos querem.

Nesse bombardeio de informações, a urgência é uma constante. Não temos tempo. E quanto menos tempo tenho, supostamente mais importante eu sou. 

Assim vivemos em um mundo competitivo que jura ser super hiper mega ultra plus feliz, mas na verdade é justamente o oposto. E uma das causas desse oposto é uma palavrinha feia chamada inveja.

A inveja é o que alimenta o consumo. E nós "compramos" a ideia literalmente, sem questionar muito. Medimos a felicidade pela quantidade de dinheiro que se tem em relação ao outro. Se você não é tão rico assim, você não tem o direito de ser feliz. 

Uma das coisas que percebi é que o invejoso incita a inveja. Ele precisa que outras pessoas sejam igualmente invejosas para validar seus sentimentos. Não é apenas uma questão de marketing. É uma questão humana das mais antigas para não dizer antropológica. 

A questão da inveja é tão antiga que aparece até nos dez mandamentos: "Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo."

A inveja pode ser de qualquer coisa que outra pessoa tenha e você não. Não precisa ser necessariamente algo material. Pode ser espiritual como a fé, por exemplo. Pode ser saúde, pode ser alegria de viver, otimismo. Já vi gente invejando até a ignorância alheia que protege do sofrimento.


Um sábio profeta, mais conhecido como "meu pai" (sim, ele mesmo, o progenitor) um dia me disse uma frase de alguém que eu nunca mais esqueci: "Rico não é aquele que tem muito, rico é aquele que está feliz com o que tem".

Eu era bem nova quando ele disse isso e eu nunca mais esqueci. Fez e faz muito sentido para mim. Mas estar feliz com o que tenho não me impede de buscar outras coisas. Como já dizia Freud: "Enquanto há vida, há desejo."


Pensando nisso, voltei para uma das minhas primeiras aulas de psicanálise com a Professora Célia Terra onde ela explicou que a inveja também pode ter uma face positiva. A da admiração. A criança pequena inveja seus pais mas no sentido positivo, o de querer ser como eles amando-os e buscando esse ideal.

Essa admiração é uma faceta menos destrutiva da inveja clássica. Vários professores com os quais eu tive aula despertaram minha admiração e são um modelo para mim até hoje.

Lembro bem quando peguei o livro "Integração Psicofísica" da professora Rosa Maria Farah nas mãos pela primeira vez. Pensei comigo mesma que um dia eu também publicaria um livro que falasse sobre a importância do toque. Acho que ela nem sabe, mas esse livro foi minha inspiração por muitos anos...

Assim, esta talvez seja uma opção. Já que não podemos eliminar a inveja, podemos lidar com ela de uma maneira mais saudável, mais construtiva e inspiradora.

Obrigada a todos que mostraram que eu poderia evoluir, ir além de meus limites e conquistar meus sonhos! Se alguém encontrou caminhos para alcançar seus objetivos, é porque isso é possível! 

Um grande beijo,
Renata
www.terapeuta.psc.br




terça-feira, 12 de junho de 2012

Dia dos Namorados


O que significa sermos namorados?

Muito mais do que um título, ser namorado implica em uma ideia romântica que traz consigo uma série de características próprias deste status quo.

Ser namorado muitas vezes é melhor do que ser noivo, marido, ficante ou rolo fixo. Mas será que uma coisa exclui a outra?

Não necessariamente; mas frequentemente...

A ideia do namoro é uma ideia cercada de prazeres, de cuidado, de magia e de encanto.

Quando pensamos em namorados, imaginamos um casal sorrindo, abraçado, se beijando e trocando afeto.
Por isso o dia dos namorados costuma incomodar tanto... Porque nos faz refletir sobre nossas relações afetivas.

Como estamos ou não estamos cuidando de nosso relacionamento amoroso? Existe respeito, afeto, carinho e consideração?

Mas existe um outro lado, uma outra imagem muito menos comercial. A do casal mudo, sentados à mesa da pizzaria no dia 12 de Junho, cortando os pedaços de uma pizza de frango com catupiry. Ela bebendo uma coca light e ele tomando um chopp. Os olhares mal se cruzam. De repente ela dá um sorriso amarelo e pega na mão dele.  Ele corresponde com o mesmo sorriso e pede a conta.

Sempre me perguntei o que aconteceu com esse e tantos outros casais para chegarem neste ponto. Em que momento a coisa começou a degringolar?

Como terapeuta  individual e de casais, conheço inúmeras estórias, histórias e motivos que levam um casal a chegar nesse ponto. Mas será que dá para evitar isso?

Acredito que sim e é por isso que eu gosto do dia dos namorados.

Se nós pararmos para olhar para as nossas relações, questionando se estamos empenhados com o compromisso, onde podemos melhorar, dando abertura para ouvir o outro, criamos espaço para a troca, o crescimento e o cuidado tão importantes para a manutenção de uma relação.

Mas para isso é preciso humildade. A certeza de que não temos sempre razão e que os olhos do outro são capazes de enxergar coisas que nós não vemos são os ingredientes mais importantes para que o canal de comunicação seja mantido aberto.

Através do diálogo e da troca de opiniões, podemos crescer e aprender juntos um com o outro.

Jung dizia que o casamento é um dos caminhos para a individuação. E eu concordo com ele. Ao entrar em um relacionamento, nos encontramos com vários aspectos que no começo do namoro não passavam de projeções...

E como manter o “namoro” depois que essas projeções se chocam com a realidade?

Além do diálogo, a aceitação, o respeito e a compaixão contribuem para que o casal possa curtir o amor que brota da semente de paixão.

E quando o casal se ama, abre espaço para as imperfeições do outro. Acredita e trabalha na possibilidade de batalhar em cima do que precisa ser melhorado.

Nessa parceria, refazer o contrato de namoro e/ou casamento é uma constante:  “Eu penso sobre o que temos e opto por estar ao seu lado”. Não por dependência, mas porque quero, porque desejo continuar construindo uma estória ao lado dessa pessoa.

Se ao invés de esperarmos uma vez por ano para pensar no assunto, nós cuidarmos disso diariamente, o dia dos namorados será alegre e prazeroso. Bem diferente de um jantar obrigatório em um restaurante qualquer.

Um abraço e feliz dia dos namorados!
Renata

domingo, 10 de junho de 2012

Usar ou não usar o divã?...

Depois de pensar muito sobre o assunto, resolvi colocar minha opinião sobre o uso do divã na análise.

Gostaria de deixar claro que não sou contra o uso do divã. Mas também não sou a favor.

Antes que os psicanalistas amantes do divã me fritem, deixem eu explicar...

Sei que o conteúdo inconsciente pode emergir com maior facilidade se a pessoa estiver deitada no divã. Sei também que ele favorece a livre associação.

Mas o meu raciocínio segue outro caminho.

Se um conteúdo tornou-se inconsciente, é por algum motivo. Por isso gosto de trabalhar com a presença do ego.

Percebo que as coisas acontecem com mais velocidade com a permissão do ego.

Ao deitar-se no divã, a troca e a interação com outro ser humano através de olhar e da linguagem corporal são perdidas.

Uma das funções da análise é a troca que inevitavelmente ocorre através da transferência e contra-transferência. Penso que no divã essa é uma troca limitada.

O analista fica preservado, ele é poupado do olhar do analisando. Posição muito mais cômoda, é verdade.

Muito mais cômoda também ao analisando sobre outro ponto de vista, pois ele pode falar sobre sua vida psíquica como quem fala ao vento, sem "bancar" o que é dito. Quando uma pessoa diz a outra pessoa, olhando nos olhos, acredito que a integração do inconsciente para o consciente é maior e mais rápida.

Sei que preciso de muita coragem para defender essa ideia, mas essa sempre foi uma característica minha. Também sempre fui polêmica, então isso não é novidade.

O bom analista é aquele que consegue criar um ambiente de confiança, segurança e principalmente empatia a ponto do analisando conseguir se sentir confortável para relaxar e abrir as portas do inconsciente.

A livre associação pode não somente acontecer dessa forma como inclusive ser promovida. O papel do analista pode ser mais ativo nesse sentido.

Outro aspecto que penso ser importante no não uso do divã é que, nesse caso, o analisando vê o analista, o que pode transmitir ideia de certo controle ao analisando. Isso é muito importante para as pessoas com transtornos de ansiedade. Tirar esse "controle" pode precipitar uma crise de pânico, por exemplo.

Não quero dizer com isso que o divã é ruim ou que ele faz mal. Quero dizer que ele pode e deve ser opcional. Diferente do que exigem alguns profissionais.

A crença de que a análise só começa quando o paciente deita no divã pressupõe que a relação entre o analista e o analisando só pode ocorrer de forma "correta"quando o analisando "cede" ou concede a esse posicionamento ortodoxo.

É uma aposta muito alta na transferência.

Para mim a analise é muito mais do que isso. O analista bem preparado e que também faz e se mantém em análise, tem condições de observar e separar as associações do paciente da transferência e da contra-transferência. Ele tem condições de trabalhar com o material que emerge. Ao sentir, permitindo que as palavras do analisando toque sua alma (ou psique), o analista cria empatia e percebe através dessa empatia a dor do outro.

Ao sentir essa dor, pensar formas de trabalhá-la, compreendê-la e dar um sentido ao material coletado é a tarefa que pode ser executada olhando nos olhos de quem sente.


Note, não acho que o uso do divã é ruim, não é isso. Respeito quem gosta de trabalhar com ele.

Mas prefiro trabalhar de outra forma. E tem dado muito certo.

Não existe uma única fórmula de sucesso. Temos que tomar muito, muito cuidado com as teorias que se tornam religiões. Isso nos cega.

Estar aberto a novas formas de trabalho e a novas possibilidades é bem mai difícil do que comprar a fórmula pronta. Mas é o que dá espaço à criatividade, ao novo, à evolução.

Um abraço,
Renata
www.terapeuta.psc.br



quinta-feira, 7 de junho de 2012

É manha? Posso pegar meu bebê no colo?

Pode parecer uma pergunta tola, mas não é.

Em umas das primeiras consultas ao pediatra que fiz quando minha filha mais velha nasceu, ela estava chorando muito. Na hora em que fui pegá-la no colo para acalmá-la, o médico me disse: - "Não pegue ela! Isso é manha!"

Na hora obedeci. Mas sai do consultório muito brava.

Como assim manha? A menina, prematura, tinha apenas 15 dias. Como um ser que não tem nem o sistema nervoso maduro poderia estar fazendo manha? A ideia de manha por si só já é algo subjetivo demais para um bebê tão novinho...

Quando passei 3 anos pesquisando o sono dos bebês e o desenvolvimento infantil, procurei conhecer esse conceito de manha e essa ideia de que não podemos pegar nossos bebês no colo quando eles nos chamam.

Essa sempre foi uma preocupação principalmente quando eu desenvolvi o método que ensina os bebês a dormirem a noite toda.



Mãe e filho são unidos por um vínculo muito forte. Quando o bebê chora, nós mães temos um impulso natural para ir de encontro aos nossos bebês e acalmá-los. É pura natureza.

Acredito que só uma mãe (ou quem faz o papel de mãe) sabe se é ou não hora de pegar seu filho no colo. Ninguém além da mãe está habilitado para saber isso.

Durante a aplicação do método eu sempre digo isso para as mamães que me procuram: -"Siga seu coração".

Mas e se a gente criar o hábito de pegar o bebê do berço a cada vez que ele reclamar?

O que pode acontecer nesse caso é que podemos dificultar o processo de adormecer do bebê. Imagine se você estiver sonolenta ou dormindo, alguém for lá e tirar você da cama. Isso com certeza vai despertá-la.

Existe uma diferença entre o momento em que o bebê pode ser acalmado no berço e o momento em que o bebê precisa ser pego no colo para conseguir se acalmar. E como saber a diferença? Só o coração da mãe (ou quem faz o papel de mãe) é que pode saber. É ela com sua sensibilidade que perceberá se é ou não hora de pegar seu filho no colo.

É importante lembrar que devemos passar para o bebê a ideia de que o berço é um lugar seguro e que ele pode e deve dormir ali. O bebê sempre deve adormecer no mesmo lugar onde ele vai continuar dormindo. Seguindo esse raciocínio, se ele puder ser acalmado no berço, melhor. Mas se ele estiver muito nervoso e precisar do acolhimento e contato físico da mãe, isso pode e deve ser feito.

Assim, respeitamos as necessidades emocionais tanto da mãe, como da criança.

Um abraço com carinho,
Renata
www.terapeuta.psc.br
Foto: Shutterstock

terça-feira, 5 de junho de 2012

Babá Eletrônica e as visitas ao quarto do bebê

Essa noite acabou a luz na minha casa.

Minha babá eletrônica tem bateria, mas a bateria dela também acabou.

Diante desse fato eu tinha um problema: a fantasia de que minha filha poderia chamar durante a noite e poderia não escutar.

A Laura dorme super bem. Raramente chama durante a noite. Só quando se descobre e fica com frio, quando evacua, ou algo do gênero. Conscientemente eu sei que não há, nem nunca houve motivos para eu me preocupar, principalmente agora que ela já tem quase um ano e meio.

Mas e daí?...

Conversando com outras mães que compartilham da mesma neurose que eu, acho que surgiu na atualidade uma nova modalidade de neurose derivada da super proteção: a Neurose da Babá Eletrônica.

Não, não é piada... A consequência disso é um vício na babá eletrônica que fica ligada a noite inteira. No caso da minha filha mais velha, até ela ter por volta de 4 anos.

A base desse hábito é um medo irracional de que algo pode acontecer durante a noite e eu (ou a mãe em questão) pode não perceber, o que poderia originar algum mal à criança.

O resultado disso foi uma noite mal dormida. Um olho aberto e outro fechado e várias visitas ao quarto da pequena para ver se estava tudo bem, se estava coberta, se estava dormindo, respirando, etc...

Mas e as mães, como a minha, que viveram em uma época em que não se usava babá eletrônica? Será que eram menos neuróticas?

Acho que não. A neurose da babá eletrônica é só uma FORMA de manifestar esse medo que temos de não sermos capazes de prover as necessidades de nossos filhos. Ou ainda o medo que temos que algum mal pode acontecer à criança enquanto ela dorme e que na calada da noite, ninguém perceberá.

Refletindo sobre o fato eu me pergunto: será que estando sempre alerta, seremos capazes de evitar todos os males que por ventura poderiam acontecer aos nossos filhos? E mais, será que evitar todos os males é algo saudável, ou melhor seria deixá-los passar por experiências desconfortáveis para que aprendam a se virar na vida? Qual o limite entre o cuidado e a super proteção?

Sinceramente acho que esse limite é algo muito pessoal. Mas quando ele começa a incomodar, quando deixamos de dormir a noite, quando percebemos que a ansiedade cresce muito diante de uma fantasia, é hora de pararmos para pensar se a neurose não está ocupando espaço demais em nossas mentes e verificar dentro de nós mesmas as causas desses medos.

A psicoterapia, realizada por um psicólogo devidamente capacitado, pode ajudar muito a pensar esse limite e as causas pessoais de nossos medos e fantasias.

O auto-conhecimento ajuda na educação de nossos filhos e também na maneira como vamos lidar com as nossas dificuldades.

Espero logo conseguir desligar a babá eletrônica e dormir em paz, sem achar que não vou ouvir caso ela me chame.

Beijos da psicóloga que também é mãe e humana,
Renata
www.terapeuta.psc.br

Imagem de: http://www.mundodastribos.com/baba-eletronica-como-escolher-dicas.html

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Você sabia que nem todo psicoterapeuta é psicólogo?

Pois é.

Acabei de descobrir isso. Nem todo PSICOterapeuta é psicólogo.

Como assim?...

Diante do plágio que eu sofri feito por uma enfermeira que diz ser psicoterapeuta, em longa conversa com o Conselho Regional de Psicologia, descobri que qualquer pessoa que faz um curso ou pós em qualquer coisa "psi" pode se auto intitular PSICOTERAPEUTA.

Fiquei chocada.

Nós psicólogos, estudamos 5 anos. No meu caso fiz a PUC-SP, período integral, com inúmeros estágios supervisionados. Durante os primeiros anos de consultório, fiz supervisão com psicólogos mais experientes que me orientaram. Até hoje procuro discutir meus casos (respeitando o código de ética dos psicólogos e por tanto o sigilo) com colegas para sempre aprender e crescer.

Temos uma responsabilidade imensa com a saúde mental do paciente. Isso é muito, muito sério mesmo. Quando eu trabalho com a terapia do sono do bebê por exemplo, eu entro dentro da psique da mãe, do bebê, do pai e de toda a família que está envolvida na questão. Não é algo simples. Não é só um bate papo em psicologuês. Não é só uma "forcinha". Por trás do meu trabalho existe anos de estudo e prática NA ÁREA DE PSICOLOGIA CLÍNICA.

E o que isso significa?

Significa que se uma mãe apresentar traços psicóticos por exemplo, eu saberei identificar e vou trabalhar com um psiquiatra para cuidar dessa questão antes de aplicar o método. Significa que o olhar do PSICÓLOGO CLÍNICO, preparado e devidamente treinado durante os 5 anos de faculdade é capaz de detectar, cuidar e preparar uma série de outros aspectos conscientes e inconscientes que podem estar presentes na dificuldade de dormir do bebê.

A insônia do bebê (só para citar um exemplo) é apenas o sintoma de uma rede muito complexa por trás da questão.

E por falar em ética, para que meu trabalho de mestrado (que deu origem ao método para ensinar os bebês a dormirem) fosse aprovado, ele teve que passar por um Comitê de Ética, onde foi analisado e moldado para atender as necessidades das mães que me procuram. Não é tão simples como se imagina. O PSICÓLOGO está submetido ao código de ética, um conjunto de regras que condena e PUNE comportamentos indevidos como o plágio, por exemplo.

Se você procura um profissional para fazer psicoterapia que não é PSICÓLOGO, saiba que ele NÃO responde ao comitê de ética e nem conhece o código de ética dos psicólogos que não são meia dúzia de palavras, mas uma cartilha inteira.

Para se formar em Psicologia inclusive temos aulas de ética.

A psicoterapia toca a alma de uma pessoa. Mobiliza conteúdos de uma vida inteira. O profissional precisa estar muito bem preparado, com respaldo teórico e prático para conseguir trabalhar questões complexas que podem envolver várias gerações. Não se aprende isso da noite para o dia. Nem em 6 meses, nem em poucos anos.

Pergunto eu, se eu resolvesse fazer um curso de decoração, poderia sair construindo casas?... E se uma dessas casas caísse na cabeça de alguém?

Trabalhar com a psique humana não é simples, não é fácil, não se aprende rapidamente. Exige muito treino e dedicação.

Fácil é sim copiar os outros. Repetir frases prontas. Mas na hora da crise, na hora do choro, na hora do surto, do desespero, quando os conteúdos emergem, é preciso muita habilidade para lidar com o que aparece. Qualquer erro pode agravar um quadro, pode desencadear uma patologia muito séria e nós não temos como saber se a pessoa que cruza a porta do consultório pode ou não ter algum comprometimento maior. E se tiver, é muito importante saber identificar, lidar e conduzir o caso.

Por isso cuidado ao escolher com quem fazer PSICOterapia. Pergunte antes qual a formação do profissional e verifique se ele realmente está habilitado a lidar com a sua vida psíquica. É a sua saúde mental, sua vida, seu casamento, seu bebê que estão em jogo e não podemos colocar algo tão valioso nas mãos de alguém que não esteja MUITO, mas MUITO bem preparado mesmo.

Beijos da PSICÓLOGA,
Renata
www.terapeuta.psc.br

Imagem captada no google no blog http://ditosdesditos.blogspot.com.br/2009_11_01_archive.html


quinta-feira, 31 de maio de 2012

COPY PASTE


Estou chocada.

Estava navegando na internet e olhando os sites e blogs de meus colegas de trabalho. De repente dei de cara com algo extremamente grave e desagradável.

Uma enfermeira, professora da UNIFESP simplesmente copiou várias páginas de meu site.
Ela não é psicóloga, mas faz psicoterapia de casal, individual e do sono do bebê, dentre várias outras. Não sei com que métodos que ela trabalha e sinceramente acho um absurdo uma pessoa que simplesmente faz uma pós graduação estar habilitada a exercer a profissão de psicóloga.

Se esta pessoa está habilitada, então por que não criou sua própria página, com seu próprio texto e conteúdo? Por que copiou o meu?

Estou pasma.

Liguei no Conselho Regional de Psicologia e eles me orientaram. Já entrei em contato com meu advogado para ver como tomar as medidas legais.

Mas isso me fez refletir sobre o mundo da internet.

Será que a internet é território de ninguém? Como fazer para que leis e regras sejam cumpridas?

Inúmeras vezes eu já vi e ouvi sobre crimes como racismo, pedofilia, bullyng , ameaças, extorsão, etc. Todos  feitos através da internet sem consequências maiores.  

O que posso dizer? Estou muito chateada. Essa pessoa tem quase 5 mil “amigos” no facebook. Está na televisão e até escreveu um livro. Por que precisou COPIAR  literalmente (COPY-PASTE) os textos do meu site?

É uma boa pergunta.

Mandei uma mensagem pedindo para ela retirar meus textos do ar e colocar textos dela. Ela ainda não respondeu. Espero que ela o faça o mais rápido possível.

E vocês o que acham disso?

Beijos desolados,
Renata
www.terapeuta.psc.br

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Envelhecer é difícil

Hoje de manhã acordei com a cara amassada.

Quando fui chamar minha filha mais velha pra terminar a lição de casa, aproveitei e dei uma olhada mais detalhada no espelho do quarto dela e a luz incidente vinda da janela foi impiedosa. O tempo passou.

A testa tem 2 linhas horizontais, típicas dos psicólogos que "entendem" o que o outro está sentindo ao franzir a testa. Entre os olhos a famosa ruga de quem faz uma força danada para pensar bastante.

Para fazer jus a ruga, comecei a pensar.

Outro dia, tudo o que eu queria era fazer 18 anos... Depois quis tanto casar, mas tanto, mas TANTO que casei 2x.

Nesse meio tempo fiz muitas coisas. Uma faculdade, 2 pós graduações, um mestrado, escrevi um livro, dei entrevistas para jornais, revistas, rádios e televisão. Mudei de casa várias vezes e o mais importante tive 2 filhas maravilhosas.

Trabalhei nas empresas que eu quis, montei meu consultório e hoje tenho uma sala só minha.

Quantas coisas que eu nunca achei que conseguiria...

Olhando no espelho e vendo as rugas da minha cara, chego a ter certo orgulho delas... Noites mal dormidas, noites super bem dormidas, medos, esperanças, preocupações, certezas, saudades... Quanta gente eu já conheci, quantas pessoas já me tocaram com suas estórias...

As rugas são a prova de que eu vivi. E isso é muito, muito gostoso. Poder olhar para trás e pensar em todas as coisas que eu já fiz e... O que eu tenho para fazer?

Bom, ai eu já comecei a não gostar mais. Daqui para frente, o inexorável destino da vida, a morte vai se aproximando cada vez mais e com ele as limitações da velhice.

A juventude é bela. Minhas filhas são lindas, com a pele lisinha, brilho nos olhos e uma ingenuidade no olhar que só quem viveu pouco tem. Será que é possível envelhecer bela?...

Será que podemos adquirir outro tipo de beleza que não a da juventude? Ou será que eu também vou correr atrás do elo perdido, tentando parecer mais jovem me esticando até deformar?

Eu não quero ter 60 anos com cara de 20. Acho isso muito estranho.

E se eu tiver 60 anos com cara de 60 anos? Pode?... Estarei errada?...

Na nossa sociedade é proibido envelhecer. Se você envelhece, você é desleixada. Se você tem os cabelos brancos então!... É quase um crime, uma ofensa pública.

O que significa isso? Por que negamos o que é absolutamente natural?


Além da resposta óbvia, lutar contra o envelhecimento alimenta uma indústria enorme, parecer mais jovem é parecer mais distante da morte.

Envelhecer nos força a admitir nossa finitude. Se somos finitos, não temos todo o tempo do mundo para fazer tudo o que queremos.

Para a mulher isso é mais gritante ainda porque nós temos um relógio biológico que avisa que nosso tempo de ter filhos existe ou terminou. E se terminar... Não há plástica, creminho, laser, nem nada que possa vencer o climatério. Os óvulos também envelhecem...

A ciência avança tentando driblar a morte, congelando óvulos e embriões, fazendo reposição hormonal e tudo o que possa nos convencer de que a morte é algo tão distante que a gente nem precisa pensar nisso agora.

Como rebelde que sempre fui, vou na contra mão da ciência e discordo! Será que não é melhor reconhecer nossa finitude e justamente por isso gozar a vida da melhor maneira possível?

Se eu sei que meu tempo é limitado, lembrando disso, eu posso aproveitá-lo.

Essa é a parte boa da vida. Aproveitar o tempo, fazer hoje e não deixar para amanhã, viver tudo o que temos para viver, chorar e sorrir, sem medo.

Mas a parte ruim é que um dia teremos que nos separar daqueles que amamos. É preciso muita coragem para admitir isso. Soa mórbido, mas é a mais pura verdade.

E o que fazer diante dessa triste realidade?

O fato da festa um dia chegar ao fim, não significa que a gente não possa se divertir enquanto ela acontece!

E no mais, ninguém sabe como ela termina. Se é que realmente termina!...

Um forte abraço cheio de vida e com algumas rugas,
Renata
www.terapeuta.psc.br



domingo, 20 de maio de 2012

Como fazer para o recém nascido dormir bem

Sempre eu recebo e mails de mamães que querem saber o que fazer para que seus bebês recém nascidos, ou menores de 6 meses durmam bem.

A resposta é sempre a mesma. Antes dos 6 meses, é normal e esperado que o bebê acorde para mamar de madrugada. No caso dos recém nascidos, muitos médicos orientam que o bebê não passe mais de 4 horas seguidas sem se alimentar. Depois dos 2 meses, a maioria dos bebês não precisa ser acordada para mamar durante a noite.

De qualquer forma, todo mundo quer que o bebê durma o maior número de horas saudáveis possível.

Quando me perguntam como fazer isso, eu sempre explico que dar uma banho seguido de massagem, desde o nascimento é o segredo para ter um bebê calmo e relaxado.

Mas muitas mães tem medo de fazer isso ou não conseguem imaginar como podem dar um banho relaxante e fazer uma massagem em um bebê tão pequenino.

Esses dias eu recebi esse vídeo e achei que as mamães poderiam gostar bastante, pois ele mostra uma enfermeira dando um banho bem relaxante... 

Quando minha filha mais velha nasceu, eu me lembro que a enfermeira do hospital também deu um banho assim nela. Uma das coisas que eu notei neste vídeo e também no banho que a enfermeira deu em minha filha, foi que em ambos os casos não ouve preocupação com o fato da água entrar nos ouvidos.

Realmente, eu sempre molhei os ouvidos de minhas 2 filhas e elas nunca tiveram dor de ouvido. O segredo? Jamais introduzir hastes flexíveis com ponta de algodão nos ouvidos. A cera protege o ouvido e ao contrário do que a imensa maioria das mães fazem, o ouvido só pode ser limpo por fora e jamais por dentro. Quem me ensinou foi o pediatra.

Outro ponto que achei importante no vídeo é a tranquilidade e segurança com que a enfermeira segura o bebê. Na nossa fantasia, achamos que vamos afogar o bebê na água, mas eu nunca ouvi falar de uma mãe que tivesse feito isso. Pode confiar no seu instinto que você é totalmente capaz de segurar o bebê e banhá-lo. Essa tranquilidade e segurança são muito importantes, pois a gente transmite isso ao bebê.

Depois do banho, já bem relaxado, podemos fazer a massagem como mostra o vídeo.

Em tempos de friozinho, é importante que o ambiente esteja aquecido e as janelas fechadas, evitando correntes de ar.

Espero que tenham gostado!

Dando um banho bem gostoso, com calma, tranquilidade e  muito amor e carinho, seguido de uma massagem relaxante, todos os dias, com o tempo o resultado poderá ser observado.

Um forte abraço,
Renata
www.terapeuta.psc.br

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Mães super protetoras x Mães ausentes


Todo mundo sabe como é difícil alcançar o equilíbrio. Por mais que a gente tente, não acredito em equilíbrio permanente ou absoluto. Este seria sinônimo da morte, pois a vida é movimento.

Assim como nosso coração faz movimentos de sístole e diástole, nosso pulmão inspira e expira o ar, nossos músculos contraem e relaxam; para mantermos nos vivos, precisamos saber dançar a dança dos opostos sempre buscando o equilíbrio.

Mas e quando ele não acontece?

É ai que mora o perigo. Quando tendemos a um extremo, seja ele qual for, abrimos mão de muitos aspectos importantes da experiência. 

Assim, a mãe ausente se priva do convívio com seus filhos, terceiriza a educação deles e perde os prazeres e desprazeres da maternidade. É uma experiência incompleta. O tempo passa rápido e os momentos perdidos não voltam mais...  

Por outro lado, a mãe super protetora sufoca com sua ansiedade o potencial dos filhos. Não acredita que eles possam se virar sozinhos e gera crianças dependentes e adultos inseguros. Muitas vezes a mãe super protetora abre mão de sua realização pessoal em prol dos filhos.

Em ambos os casos a conta uma hora acaba chegando.

As  atitudes extremas trazem consequências tanto para as mães, como para os filhos e para a família.

Os filhos de mães ausentes costumam gritar por atenção das mais diversas formas. A mais comum delas é fazendo exatamente o contrário do que se espera deles. É um pedido de socorro, uma forma de fazer com que olhem para eles e seu sofrimento. Muitas vezes os pais e mães ausentes tentam compensar a criança com bens materiais, tentando preencher um vazio emocional com presentes.

É um erro muito comum e que pode inclusive desenvolver comportamentos indevidos, como o daquelas pessoas que quando estão chateadas precisam sair às compras.

No caso da super proteção, as mães criam uma espécie de obsessão pelos filhos que chega até a assustar. Só pensam nas crianças 24hs por dia, 365 dias por ano. Os diálogos são sempre sobre os mesmos "obsessuntos". Temem o choro e a frustração dos filhos e acham que qualquer desconforto pode lhes causar um mal irreversível. 

Quando as crianças crescem um pouco, as mães super protetoras cercam e controlam cada passo e cada espirro, como se a vigilância permanente pudesse evitar algum mal eminente, quando na verdade o que elas querem mesmo é manter os filhos próximos e dependentes suprindo uma carência que no fundo é delas.

Mas uma hora essas crianças acabam virando adultos (se não Peter Pans?) e se conseguem superar esse complexo, vão levantar voo em direção a sua vida e projetos. E ai? Qual será o papel dessa mulher? Avó super protetora? Ou será que vai sobrar um vazio enorme, fruto da ausência de investimento em si mesma, em seus sonhos e seu desenvolvimento?

As mães ausentes também pagam o preço. Filhos emocionalmente distantes. Ora, nada mais justo, colhemos o que plantamos.

Claro que extremos como os descritos aqui são raros. Mas é importante apontá-los para que a gente cuide, todos os dias, para não escorregar demais para nenhum dos lados.

Mesmo que o equilíbrio total e absoluto não exista, buscá-lo é sempre uma boa ideia.

Assim, vamos vivendo a experiência da maternidade, errando, acertando, aprendendo e teimando todos os dias, pois ser mãe não tem feriado, dia santo e nem férias.

Um beijo para todas as mamães que assim como eu, são humanas e por tanto imperfeitas!

Renata
www.terapeuta.psc.br

*Desenho de Ziraldo



quarta-feira, 16 de maio de 2012

Os minutos que antecedem o sono do bebê

Sempre que escrevo sobre o sono do bebê, acabo contando a história da minha filha mais velha, Nicole. Foi com base na experiência que tive com ela que desenvolvi o método que deu origem ao livro "O Sono do Meu Bebê", editora CMS.

Mas hoje eu quero falar da minha filhota mais nova, a Laura.

A Laura é um encanto! Linda, carinhosa, bem humorada, quase não dá trabalho. Está certo, quando ela nasceu eu já estava bem mais madura, já tinha tido a experiência da maternidade e já havia feito um mestrado em psicologia clínica onde estudei muito sobre desenvolvimento infantil. Tudo isso é verdade...

O fato é que nós nos curtimos de uma forma muito gostosa. Mas os minutos que antecedem o sono dela eu considero especiais.

Depois do banho e da massagem, a Laura brinca um pouco na sala até chegar o horário dela dormir. Então ela toma o leitinho dela e nós começamos o momento que eu chamo de "namoro".

Só eu e ela, no escurinho do quarto, iluminado apenas com uma luz azul bem fraquinha, eu sento na cadeira de balanço e canto canções de ninar. No meio das músicas ela me faz carinho, sorri, aperta meu nariz, segura minha mão... É um momento simplesmente delicioso. Trocamos olhares, eu faço carinho nos cabelos acobreados dela, abraço seu corpinho fofinho com todo amor e carinho que brota do coração de uma mãe apaixonada por seus filhos.

Eu tenho uma sequência das músicas que eu canto para ela. No final da sequência ela já sabe que vai para o berço dormir, mas muitas vezes antes disso, quando ela está com um pouco mais de soninho, ela mesma aponta o berço me pedindo para eu colocá-la para dormir. Muito fofa!...

Então eu a coloco no bercinho, digo "Boa noite meu amor, te amo muito!" dou um beijo e saio do quarto. Ela dorme bonitinha até o dia seguinte, conciliando o sono sozinha, uma graça!...

Neste momento eu sempre tento me conectar de alguma maneira com todas as mamães que leram meu livro. Eu queria que todas soubessem que isso que eu tenho aqui em casa é possível sim... Foi essa a minha intenção ao escrever o livro.

O tempo passa muito rápido. Quero aproveitar o blog para deixar registrado aqui esses momentos tão felizes que antecedem o sono.

Laura, minha pequenina, obrigada por me proporcionar essa alegria todos os dias!

Muitos e muitos beijos no escuro do seu quarto,

Mamãe

www.terapeuta.psc.br




segunda-feira, 14 de maio de 2012

Aborto espontâneo e o drama da perda gestacional

Hoje vou falar de um assunto delicado, o aborto espontâneo.


Esse assunto é delicado porque a maioria das pessoas acha que não devemos falar sobre isso. A mulher que sofre um aborto espontâneo passa por um processo de luto. Mas esse luto não é reconhecido pela sociedade. 


Quem passou por isso, como eu, conhece bem a dor que é perder um filho que nem chegamos a conhecer. Mas será que não chegamos a conhecer mesmo? Só conhecemos nossos filhos depois que nascem vivos? Ou será que a relação começa ainda no útero, ou até antes, quando sonhamos e desejamos a criança?


Perder um bebê é muito, muito, muito difícil. 


Quando me perguntam quantos filhos eu tenho, eu penso em 3, mas digo 2 porque pega mal contabilizar a terceira. Sim, era outra menininha que dei o nome de Sara. Mas eu não posso falar dela porque fica parecendo drama mexicano. As pessoas logo dizem, "não fique triste, se ela não veio é porque a natureza é sábia e fez o que deveria ter feito". Como podem saber?...


Hoje existe em Portugal um projeto criado por Maria Manuela Pontes chamado Projeto Artémis que apoia mulheres que passaram por isso. Este projeto deu origem ao livro "Maternidade Interrompida - O drama da perda gestacional" Ed. Ágora, 2009.


Nele a autora colocou vários relatos de mães que passaram pela perda de um ou mais bebês. Ao ler o livro eu pude me identificar com a dor daquelas mães e isso fez com que eu me sentisse melhor. Mas confesso que quando comprei o livro, eu queria muito que ele me ajudasse a lidar com o luto, com a culpa, com a saudades e todos os sentimentos que rondavam a minha cabeça.


Sim, os sentimentos são muitos. Nessa hora com certeza absoluta vale a pena investir na terapia. Ter um espaço para falar sobre isso, para chorar a perda, parar e dar um significado a tudo o que foi e não foi vivido é muito importante.


Uma coisa que aprendi é que o tempo de gestação não é tão relevante quanto se imagina. Filho é filho e ponto final. A mãe que perde um bebê de poucas semanas sofre também. E esse sofrimento é legítimo e precisa ser respeitado tanto quanto a mãe que perde um bebê maior.


Os médicos que acompanham esse processo precisam ser sensíveis a esse fato, principalmente em tempos de inseminação artificial e em vitro. Muitas vezes a medicina se refere aos filhos de uma pessoa como embriões, sem considerar que são vidas e todo o significado que carregam. 


Uma das coisas mais difíceis do aborto espontâneo são as perguntas sem resposta. Os famosos "E se..." que rondam a cabeça da gente. 


Lidar com a impotência, aceitar o vazio e a dor que sentimos, sem negar a importância dos fatos nesse momento tão triste é um processo longo, porém necessário. Não adianta minimizar o ocorrido, ou fingir que nem ligou. Perder um filho é sempre uma perda difícil.


Nessa hora, se for possível, o pai pode ajudar muito. Ouvir, conversar sobre o assunto, abrir espaço para o choro e acolher os sentimentos que surgirem de ambos os lados, é algo que pode unir muito o casal. 


Unidos, fica mais fácil voltar a sonhar e acreditar que o projeto da família pode e vai dar certo; aos poucos vamos aprendendo a lidar com a dor, nos preparando para uma nova gestação, caso seja o desejo do casal.


A gestação seguinte costuma ser muito tensa. O medo de perder o bebê novamente é permanente e qualquer sinal de desconforto pode gerar muito estresse. Cada ida ao banheiro   é preocupante. Mas até com isso podemos aprender a lidar. 


No meu caso, depois da Sara, veio a Laura. Com todos os cuidados necessários, deu tudo certo! Mas no meu peito sempre haverá o cantinho reservado para a minha pequena que ficou pouco tempo conosco, mas que está sempre comigo, nos meus pensamentos, na minha memória e no meu coração.


Querida Sara, este post é para você, onde quer que esteja, com muito amor da sua mamãe,


Renata









sexta-feira, 11 de maio de 2012

Maternidade e a culpa, amor e limites

Quando minha filha mais velha nasceu, resolvi que seria uma mãe "boa o suficiente". Resolvi que não cometeria os mesmo erros que minha mãe (ser humano) havia cometido, proveria as necessidades de meu bebê e não mediria esforços para que o mundo fora do útero fosse o mais confortável e amoroso possível.

Assim comecei minha primeira experiência de maternidade.

Ao primeiro "piu" eu corria e pegava ela no colo, interessada e querendo saber o que aquele sonzinho significava.

Nos apaixonamos. Eu por ela e ela por mim. Aquele ser dependente, uma bonequinha tão linda e tão pequenina...

Passei a provê-la de todas suas necessidades, evitando a todo custo que ela chorasse, que ficasse brava, que sentisse qualquer desconforto. Logo eu estava vivendo em função dela.

Ir ao banheiro era complicado. Tomar banho, ou ter um tempo só para mim começou a ficar difícil.

Como eu amamentava, ela passou a querer mamar toda hora, depois, a cada meia hora e depois a cada 20 minutos, durante o dia e a noite.

Em pouco tempo eu estava exausta.

Aos 8 meses eu resolvi que era hora de repensar meu comportamento. Não aguentava mais aquela situação. Nem minha filha, nem eu dormíamos. Meu humor estava péssimo e eu vivia cansada.

A primeira pergunta que eu me fiz foi: "Por que para mim é tão difícil dizer não para minha filha?"

Colocar limites, vê-la ficar brava, chorar, ou qualquer coisa que simbolizasse algum sofrimento era impensável para mim. Eu me sentia muito, muito culpada mesmo.

Para piorar a situação, eu era da linha que achava que a simbiose deveria ser total, ao menos no primeiro ano de vida e as mães que pensavam como eu era tão radicais, que diante da menor reclamação do bebê, já me olhavam com aquele olhar que dizia: "Você é uma megera malvada, pobre criança! Faça alguma coisa mãe psicóloga!"

Então eu comecei a perceber que a culpa que eu sentia era algo que vinha de fora e que reverberava dentro de mim. O olhar de outras mães, ou outras pessoas que achavam que deveríamos reproduzir fora do útero o paraíso perdido as custas do sacrifício materno, me incomodava demais.

E da onde veio isso?

Se a nós voltarmos no tempo, veremos que nossos avós tiveram uma educação bem diferente. Do ponto de vista histórico, faz pouquíssimo tempo que a psicologia existe. As pessoas educavam seus filhos de uma maneira muito mais dura. Nas escolas havia castigos físicos, como a palmatória. Estes castigos eram muito cruéis e frequentes. O abuso da autoridade, a falta de diálogo e o distanciamento, principalmente da figura paterna, era uma realidade nas famílias comandadas pelo pai provedor.

Por volta dos anos 60 e após o advento da pílula anticoncepcional, com a entrada da mulher no mercado de trabalho de uma forma mais significativa, deu-se início a um movimento contrário a toda essa cultura da autoridade e assim surgiram os profissionais que passaram a questionar as formas de educação vigentes até então.

Jung já dizia que para conseguirmos chegar ao equilíbrio, precisamos antes fazer um movimento forte no sentido contrário. Assim funciona a consciência, um jogo entre aspectos opostos.

Desse novo movimento, contrário ao autoritarismo, apareceram os autores que defendem essa postura materna onde a dedicação e entrega são totais e a mãe passa a viver em função dos filhos.

É uma ideia irresistível para quem acaba de receber um bebê nos braços. Dá vontade mesmo de largar tudo e só ter olhos para aquele pequeno milagre.

Nos primeiros meses de vida do bebê é normal e esperado que os pais se dediquem de forma quase que exclusiva ao bebê. Principalmente a mãe que amamenta. Mas aos poucos, por volta dos 6 meses de vida, é extremamente importante que o bebê gradativamente possa experimentar doses toleráveis de frustração.

Hoje já se sabe e Erich Noimann, especialista em desenvolvimento infantil já dizia, que os limites são tão importantes para o desenvolvimento saudável da psique, quanto o amor.

Colocar limites não significa ser ruim ou malvada. Significa sim, que em alguns momentos a mãe pode e DEVE dizer não ao seu filho. Esse "não" é um dos primeiros de muitos que irão acontecer pela vida e a criança precisa aprender em casa, em um ambiente seguro e amoroso a ser capaz de tolerar a frustração.

Dizer não e colocar limites inclui não amamentar um bebê de mais de 6 meses várias vezes durantes a madrugada (salvo sob orientação médica em casos de doenças específicas e/ou baixo peso). Isso gera um hábito ruim, prejudica as funções metabólicas próprias do sono e sacrifica a pessoa que se mantêm acordada durante a madrugada, por exemplo.

Sei que muitas mães podem achar que é cruel não amamentar um bebê que teoricamente estaria com fome. A ideia não é deixar o bebê passar fome, mas sim prover suas necessidades físicas e emocionais durante o dia e não durante a madrugada.

Mas dizer não gera culpa. E o olhar do outro dentro de nós acusa, como se a mãe que diz "não" fosse uma espécie de bruxa má a ser queimada na fogueira da simbiose.

Em um curto período, as mães simbióticas ficam cansadas, sem energia para outros filhos, sem tempo e vontade para dedicar ao marido, ao trabalho e ao próprio desenvolvimento. Só falam nos mesmos assuntos, filhos, escola, babá, viroses, pediatras, festas infantis, etc... Quando na verdade a vida é tudo isso SIM, e muito mais.

A longo prazo, a criança que não recebeu limites na infância e foi super protegida, fica infantilizada, insegura, dependente e muitas vezes mal educada. Alguns se transformam em tiranos, exigindo que os pais realizem todos seus desejos. Outros, na adolescência chegam até abusar de substâncias químicas, da velocidade dos carros, do sexo sem proteção, a procura desesperada por um limite, ainda que este seja o de seu corpo ou mesmo da morte, o único limite do qual nenhum de nós escapa.

Para não chegarmos nesse ponto, precisamos colocar limites em nossos filhos. Assim, vale a pena dizer NÃO.

Feliz dia das MÃES SEM CULPA!

Muitos beijos com muito carinho de outra mãe,
Renata
 www.terapeuta.psc.br




quarta-feira, 9 de maio de 2012

5 Mitos sobre Psicoterapia:




1.       Psicoterapia é só para quem está muita mal.

A psicoterapia é uma ferramenta que promove o autoconhecimento. Quem está mal e quer entender o motivo, ou melhorar sua condição, pode e deve fazer terapia. E quem não está mal, mas quer investir no seu desenvolvimento, cuidar de si e melhorar suas relações consigo próprio e com o mundo, também pode usufruir dessa ferramenta.

2.       Quem vai ao psicólogo é louco.

O psicólogo atende uma demanda que pode variar muito. Ele pode trabalhar em escolas, em hospitais, em empresas, no consultório, conselho tutelar, órgãos públicos, aplicando testes, em pesquisas, em vários campos.  Algumas pessoas que se beneficiam do trabalho do psicólogo tem questões mais complexas e outras questões mais simples. É como qualquer outro profissional da saúde. Um dentista, por exemplo, em seu dia de trabalho pode atender alguém para fazer uma limpeza ou uma profilaxia, e em seguida outra pessoa que precisa tratar um canal. Ir ao dentista não significa que você está com os dentes comprometidos.  O problema é que ainda existem pessoas que tem preconceito em relação aos cuidados psicológicos.

3.       Estou tomando remédio prescrito pelo psiquiatra, então não preciso ir ao psicólogo.

            Esse é um erro muito comum. A pessoa começa a se tratar com o médico psiquiatra, passa a tomar medicação, melhora e acha que está tudo resolvido. Neste caso estamos tratando o sintoma e não a causa. Se a causa do problema não for investigada e trabalhada, as chances do sintoma voltar com o fim do tratamento medicamentoso são altas.

4.       Sinto que preciso fazer terapia, mas prefiro fazer compras (shopping terapia) ou gastar esse dinheiro com lazer.
     
           Aqui nós temos o típico “tapar o sol com a peneira”.  Fazer comprar e se distrair pode até trazer bem estar momentaneamente, mas não vai resolver suas questões. É uma ilusão achar que a emoção das compras ou de um cineminha vai curar a falta de sentido na vida, a insatisfação no casamento ou aqueles medos que incomodam tanto, só para citar exemplos.

5.       Terapia é coisa de rico, é um luxo só para quem tem dinheiro sobrando.

           Existem profissionais que cobram mais caro e profissionais que cobram mais barato como em qualquer outra profissão. Ao contrário do que se pensa, fazer terapia pode ser muito mais barato do que ir ao salão de cabeleireiros por exemplo. Cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo.


Vale a pena investir em si mesmo!

Um forte abraço,

Renata 
www.terapeuta.psc.br

terça-feira, 8 de maio de 2012

Mães que trabalham

Hoje quero falar de um assunto muito importante. O trabalho das mulheres que são mães.

Na categoria das que trabalham, existem aquelas que trabalham fora de casa e as que trabalham em casa.

As que ficam em casa podem trabalhar para empresas tendo o escritório em suas próprias residências, ou trabalhar cuidando da casa e da educação dos filhos, o que também dá muito trabalho.

Eu acho estranho quando eu pergunto para uma mulher o que ela faz e escuto: "-Nada, eu só cuido da casa e das crianças." Como assim só?... Manter o funcionamento e a rotina da família envolve uma série de tarefas como ser motorista, governanta, relações públicas, psicóloga e até advogada.

Trabalhar como mãe 24 horas pode ser mais estressante do que se imagina. O convívio permanente exige uma dose extra de paciência. Reservar um tempo só para si pode ser uma boa maneira de "oxigenar" as ideias e voltar mais relaxada para casa.

As mães que tem seu escritório dentro da residência precisam ser muito disciplinadas. Separar o momento de estar com a família e o de trabalhar é tarefa herculana. Como resistir ao chamado dos filhos no meio do trabalho?... Disciplina e organização parecem ser a chave do negócio. O lado positivo é que o tempo que seria perdido no trânsito, por exemplo, pode ser gasto de outra forma, um benefício e tanto para as moradoras das grandes metrópoles.

E tem também aquelas que, como eu, trabalham fora de casa. Neste caso muito provavelmente a mamãe precisará de ajuda, seja de uma funcionária, de um familiar, ou até mesmo de um(a) amigo(a) de confiança. Colocar as crianças na escola ajuda, mas não resolve, pois existe o período de férias e nem sempre a gente consegue estar em casa na hora que as crianças chegam.

Mas o pior inimigo do trabalho de uma mãe é a culpa.

Será que sou uma mãe boa o suficiente? Será que o tempo que passo com meus filhos é de qualidade? Será que eu poderia ter feito mais? Feito melhor?

Eu não acho que a culpa é totalmente ruim. Em parte ela é necessária pois nos leva à reflexão, a auto-análise e ao cuidado para que tudo saia da melhor maneira possível. Mas por outro lado, culpa em excesso prejudica a mãe e as crianças.

Algumas mães sentem que nunca são boas o suficiente e acabam super protegendo seus filhos. Outras compensam sua culpa mimando ou enchendo a criança de presentes e bens materiais.

Não adianta nos sentirmos culpadas por sermos imperfeitas... Mas podemos aceitar que vamos fazer o que é possível, aquilo que damos conta. Talvez o ideal de mãe seja um objetivo inatingível. O importante não é alcançar esse ideal, mas sim viver a maternidade dentro da nossa realidade, dos nossos valores, do nosso tempo.

E assim cada mãe e sua família vai encontrando sua forma de ser e estar no mundo.

Um forte abraço,
Renata

Mamães na Terapia

Uma coisa que eu ainda noto em muitas pessoas é a resistência que elas tem em fazer terapia.

Tudo bem, sei que sou super suspeita para falar, mas o que poucas pessoas lembram, é que a terapia é uma ferramenta maravilhosa, que traz inúmeros benefícios e repercute em todos os campos da vida da pessoa.

O auto-conhecimento ajuda na vida pessoal, profissional e familiar. Ele não tem fim. Podemos nos aprofundar o quanto quisermos, e quanto mais nos conhecemos, mais liberdade temos para tomar nossas decisões livres de medos e preconceitos.

A maternidade costuma trazer à tona muitas questões, principalmente em relação a feminilidade, a sexualidade, a relação com o próprio corpo, com os próprios pais, a vida profissional, a vida conjugal e uma série de outros aspectos que podem fazer da terapia algo muito rico e interessante!

Mas por que ainda pensamos na terapia como o último recurso dos desesperados?

Uma grande bobagem. Terapia é uma delícia! Um espaço só nosso para falarmos e pensarmos sobre nós e nosso mundo. É um carinho para nós mesmos, um promotor do desenvolvimento psíquico.

E o que isso pode ajudar na criação de nossos filhos?

Ser mãe, mulher, amiga, esposa, amante, educadora, profissional bem sucedida, dona de casa, magra e saudável no mundo de hoje não é tarefa fácil. Administrar toda essa demanda requer muita habilidade. Os conflitos inevitavelmente acabam surgindo e a terapia ajuda muito a resolvê-los.

Assim, uma mamãe mais tranquila, mais realizada e mais feliz também terá filhos assim. Claro que perfeição não existe e como humanas que somos, os erros sempre farão parte da vida. Mas isso não nos impede de querer e poder melhorar sempre!

Um forte abraço!
Renata

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sobre o Livro "O Sono do Meu Bebê"

Este primeiro post quero dedicar à todas as mamães e papais que confiaram o sono de seus bebês ao meu método.

Mas que método é esse?

Em 2002, com o nascimento de minha filhota Nicole, eu me vi em apuros com relação ao sono dela e o meu.

Sai em busca de bibliografia que pudesse nos ajudar a dormir durante a noite toda, mas não gostei de nada do que eu li. Não queria deixá-la chorando por longos períodos, não queria levá-la para minha cama, mas ao mesmo tempo estava exausta e cansada de acordar inúmeras vezes durante a noite...

Foi então resolvi desenvolver um método próprio, baseado no que havia lido e no que havia aprendido na faculdade de psicologia. O método funcionou e eu resolvi fazer o mestrado sobre o assunto para poder publicar um livro que pudesse ajudar outras mães que estivessem em apuros assim como eu estivera um dia.

O mais interessante disso tudo, foi que durante o mestrado eu descobri várias outras coisas sobre o sono e o desenvolvimento infantil que pretendo contar para vocês neste blog. Uma delas é que o fato do bebê não conseguir dormir durante a noite não é culpa nem da mãe, nem do bebê, mas está ligado a maneira como a relação mãe e filho se estabelece, pois o momento do sono é um momento de separação e para que essa separação possa ocorrer de forma tranquila, é necessário vários ingredientes psicológicos que a gente muitas vezes nem imagina!...

Com base em tudo isso e muito mais, o livro "O Sono do Meu Bebê" Ed. CMS foi lançado no final de 2009 e é um grande sucesso! Sinto me realizada e muito feliz em poder ajudar outros pais a voltarem a dormir durante a noite toda!

Fiquem ligados no Blog! 


INAUGURAÇÃO!

Hoje é um dia muito especial!

Depois de muito ensaiar e após muitos pedidos, finalmente dei início ao meu blog sobre Psicologia, Terapias individual e de casal e claro o sono dos bebês!

Pretendo falar sobre todos estes assuntos, escrevendo livremente e se possível interagindo com todos aqueles que tiverem vontade de trocar ideias comigo.

Este é um espaço democrático!

Aceito sugestões sobre temas, pois quero ter um canal de diálogo aberto com o mundo!

Para quem tiver interesse, existe meu site: www.terapeuta.psc.br e estou também no Twitter @renatasoifer