Em umas das primeiras consultas ao pediatra que fiz quando minha filha mais velha nasceu, ela estava chorando muito. Na hora em que fui pegá-la no colo para acalmá-la, o médico me disse: - "Não pegue ela! Isso é manha!"
Na hora obedeci. Mas sai do consultório muito brava.
Como assim manha? A menina, prematura, tinha apenas 15 dias. Como um ser que não tem nem o sistema nervoso maduro poderia estar fazendo manha? A ideia de manha por si só já é algo subjetivo demais para um bebê tão novinho...
Quando passei 3 anos pesquisando o sono dos bebês e o desenvolvimento infantil, procurei conhecer esse conceito de manha e essa ideia de que não podemos pegar nossos bebês no colo quando eles nos chamam.
Essa sempre foi uma preocupação principalmente quando eu desenvolvi o método que ensina os bebês a dormirem a noite toda.
Mãe e filho são unidos por um vínculo muito forte. Quando o bebê chora, nós mães temos um impulso natural para ir de encontro aos nossos bebês e acalmá-los. É pura natureza.
Acredito que só uma mãe (ou quem faz o papel de mãe) sabe se é ou não hora de pegar seu filho no colo. Ninguém além da mãe está habilitado para saber isso.
Durante a aplicação do método eu sempre digo isso para as mamães que me procuram: -"Siga seu coração".
Mas e se a gente criar o hábito de pegar o bebê do berço a cada vez que ele reclamar?
O que pode acontecer nesse caso é que podemos dificultar o processo de adormecer do bebê. Imagine se você estiver sonolenta ou dormindo, alguém for lá e tirar você da cama. Isso com certeza vai despertá-la.Existe uma diferença entre o momento em que o bebê pode ser acalmado no berço e o momento em que o bebê precisa ser pego no colo para conseguir se acalmar. E como saber a diferença? Só o coração da mãe (ou quem faz o papel de mãe) é que pode saber. É ela com sua sensibilidade que perceberá se é ou não hora de pegar seu filho no colo.
É importante lembrar que devemos passar para o bebê a ideia de que o berço é um lugar seguro e que ele pode e deve dormir ali. O bebê sempre deve adormecer no mesmo lugar onde ele vai continuar dormindo. Seguindo esse raciocínio, se ele puder ser acalmado no berço, melhor. Mas se ele estiver muito nervoso e precisar do acolhimento e contato físico da mãe, isso pode e deve ser feito.
Assim, respeitamos as necessidades emocionais tanto da mãe, como da criança.
Um abraço com carinho,
Renata
www.terapeuta.psc.br
Foto: Shutterstock
O coração de pai também sabe...
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