Acabei de descobrir isso. Nem todo PSICOterapeuta é psicólogo.
Como assim?...
Diante do plágio que eu sofri feito por uma enfermeira que diz ser psicoterapeuta, em longa conversa com o Conselho Regional de Psicologia, descobri que qualquer pessoa que faz um curso ou pós em qualquer coisa "psi" pode se auto intitular PSICOTERAPEUTA.
Fiquei chocada.
Nós psicólogos, estudamos 5 anos. No meu caso fiz a PUC-SP, período integral, com inúmeros estágios supervisionados. Durante os primeiros anos de consultório, fiz supervisão com psicólogos mais experientes que me orientaram. Até hoje procuro discutir meus casos (respeitando o código de ética dos psicólogos e por tanto o sigilo) com colegas para sempre aprender e crescer.
Temos uma responsabilidade imensa com a saúde mental do paciente. Isso é muito, muito sério mesmo. Quando eu trabalho com a terapia do sono do bebê por exemplo, eu entro dentro da psique da mãe, do bebê, do pai e de toda a família que está envolvida na questão. Não é algo simples. Não é só um bate papo em psicologuês. Não é só uma "forcinha". Por trás do meu trabalho existe anos de estudo e prática NA ÁREA DE PSICOLOGIA CLÍNICA.
E o que isso significa?
Significa que se uma mãe apresentar traços psicóticos por exemplo, eu saberei identificar e vou trabalhar com um psiquiatra para cuidar dessa questão antes de aplicar o método. Significa que o olhar do PSICÓLOGO CLÍNICO, preparado e devidamente treinado durante os 5 anos de faculdade é capaz de detectar, cuidar e preparar uma série de outros aspectos conscientes e inconscientes que podem estar presentes na dificuldade de dormir do bebê.
A insônia do bebê (só para citar um exemplo) é apenas o sintoma de uma rede muito complexa por trás da questão.
E por falar em ética, para que meu trabalho de mestrado (que deu origem ao método para ensinar os bebês a dormirem) fosse aprovado, ele teve que passar por um Comitê de Ética, onde foi analisado e moldado para atender as necessidades das mães que me procuram. Não é tão simples como se imagina. O PSICÓLOGO está submetido ao código de ética, um conjunto de regras que condena e PUNE comportamentos indevidos como o plágio, por exemplo.
Se você procura um profissional para fazer psicoterapia que não é PSICÓLOGO, saiba que ele NÃO responde ao comitê de ética e nem conhece o código de ética dos psicólogos que não são meia dúzia de palavras, mas uma cartilha inteira.
Para se formar em Psicologia inclusive temos aulas de ética.
A psicoterapia toca a alma de uma pessoa. Mobiliza conteúdos de uma vida inteira. O profissional precisa estar muito bem preparado, com respaldo teórico e prático para conseguir trabalhar questões complexas que podem envolver várias gerações. Não se aprende isso da noite para o dia. Nem em 6 meses, nem em poucos anos.Pergunto eu, se eu resolvesse fazer um curso de decoração, poderia sair construindo casas?... E se uma dessas casas caísse na cabeça de alguém?
Trabalhar com a psique humana não é simples, não é fácil, não se aprende rapidamente. Exige muito treino e dedicação.
Fácil é sim copiar os outros. Repetir frases prontas. Mas na hora da crise, na hora do choro, na hora do surto, do desespero, quando os conteúdos emergem, é preciso muita habilidade para lidar com o que aparece. Qualquer erro pode agravar um quadro, pode desencadear uma patologia muito séria e nós não temos como saber se a pessoa que cruza a porta do consultório pode ou não ter algum comprometimento maior. E se tiver, é muito importante saber identificar, lidar e conduzir o caso.
Por isso cuidado ao escolher com quem fazer PSICOterapia. Pergunte antes qual a formação do profissional e verifique se ele realmente está habilitado a lidar com a sua vida psíquica. É a sua saúde mental, sua vida, seu casamento, seu bebê que estão em jogo e não podemos colocar algo tão valioso nas mãos de alguém que não esteja MUITO, mas MUITO bem preparado mesmo.
Beijos da PSICÓLOGA,
Renata
www.terapeuta.psc.br
Imagem captada no google no blog http://ditosdesditos.blogspot.com.br/2009_11_01_archive.html
Muito bom. Temos hoje terapeutas de tudo: Reiki, florais, especialistas em Tarô que se apresentam como psicoterapeutas. não sabia que o CRP endossava isso. Até onde eu saiba não. Mas um profissional de nível superior aceito para mestrado em psicologia clínica ou mesmo profissionais que fazem formação em psicanálise mas não são nem médicos e nem psicólogos são psicanalistas e no caso do mestrado são mestres em psicologia mas não psicoterapeutas como entendo. Hoje na SBPA só são aceitos para formação psicólogos e médicos mas em Zurique e outras sociedades aceitam-se outros profissionais de outras áreas para formação como psicanalista Junguiano. Confuso...Mas vale a pena refletir sobre o assunto para que algo se defina. Abraço. Celia
ResponderExcluirOi Célia, eu fiquei pasma com o que ouvi. Até onde eu sei, para uma pessoa ser "psicanalista" sem ser psicólogo, ele precisa fazer formação com um professor didata por no mínimo 10 anos fazendo análise no mínimo 4x por semana.
ExcluirÉ quase uma faculdade. Agora, fazer um curso de pós 2x por semana, sem ter feito psicologia, onde estudamos anatomia, neuroanatomia, antropologia, bases epistemológicas, psicopatologia, psicofarmacologia (só para citar algumas matérias que em uma pós não se aprende),e se dizer psicanalista ou psicoterapeuta, é o fim do mundo.
Me pergunto como o governo permite isso? Na minha opinião isso é exercício ilegal da profissão e deveria ser punido.
Se eu faço uma pós em primeiros socorros, posso trabalhar como médica de pronto socorro?
É a vida das pessoas que está em questão. No caso dos médicos a vida e a saúde física e no caso dos psicólogos a vida e a saúde psíquica.
Eu simplesmente não consigo imaginar uma pessoa despreparada para lidar com a psique humana atendendo e conduzindo um caso. É inconcebível para mim... É muito grave.
Queria ver se eu resolvesse aplicar injeção, tirar sangue,executar e verificando todos os procedimentos físicos que o médico indica, trabalhando na enfermaria de um hospital sem ter feito enfermagem... Mesmo para ser AUXILIAR de enfermagem, precisa fazer um curso de 2 anos.
Pois é Renata as coisas estão funcionando assim,diante dos orgãos que se propoem a fiscalizar o exercicio da profissão.O leigo demora a perceber quando é mal atendido,o assunto é subjetivo,de dificil controle.O que podemos fazer é informar com serenidade nossa pratica,afirmá-la e quando possivel questionar os orgãos ue regulamentam esses serviços.Há tanta atuação sombria,há tb um pouquinho de falta de vontade de delimitar campos de atuação!Temos um longo trabalho de discriminação pela frente.Em 35 anos de profissão me deparei e ainda me vejo em situações onde o que posso fazer é explicitar o que considero cuidadoso e adequado.Mas vc tem razão ,num campo tão delicado como o nosso muita gente presta um desserviço.Abraço grande.
ResponderExcluirDenise Molino.