Depois que lancei meu primeiro livro (o segundo está a
caminho!), comecei a perceber um movimento muito interessante com relação ao
assunto do sono dos bebês.
Eram mães, enfermeiras, psicólogas, médicos, pedagogas e uma
gama enorme de profissionais interessados em trabalhar com o tema. Nos grupos
da internet, acompanhava mães dando conselhos para outras mães com tanta
propriedade que soavam mesmo especialistas no assunto.
Mas afinal? Quem está habilitado para trabalhar com esse
tema?
O sono é assunto muito sério. Muito sério mesmo.
Para se ter uma ideia, um ser humano aguenta ficar mais
tempo sem beber água e sem se alimentar do que sem dormir. Ficar sem dormir
pode acarretar uma série de consequências, incluindo surtos psicóticos e
psicopatologias associadas ou não.
Quando uma mãe me procura para resolver o problema de sono
de seu filho, eu sei que esse é apenas o sintoma de algo muito mais profundo.
Conseguir se separar durante a noite, durante o período em que mães e filhos mergulham em seus estados inconscientes é uma tarefa que exige recursos
emocionais muitas vezes não disponíveis.
A insônia do lactente é uma resposta psicossomática a
questões de relacionamento. Principalmente entre os pais e o bebê.
Isso exige do profissional que vai cuidar do assunto algo
muito, muito importante: Conhecimento. E não me refiro a conhecimento básico,
que se adquire em pouco tempo. Refiro-me a conhecimento que se adquire em uma
universidade, em anos de estudo.
É mais ou menos como a medicina. Quando uma criança quebra o
braço, eu posso providenciar um raio x, constatar a lesão e engessar o braço
quebrado, esperando que o organismo faça o resto, simples, não?... Se eu
consultar um ortopedista, provavelmente ele vai me dar exatamente essa
instrução. Então para que procurar um médico se eu mesma posso engessar o braço
da criança?
Porque apenas o médico sabe avaliar a gravidade da lesão,
como o braço deve ser engessado, por quanto tempo, se é caso cirúrgico ou não.
Da mesma maneira, o psicólogo ou psiquiatra é aquele que
está habilitado para avaliar os casos de insônia do lactante.
A insônia, ou dificuldade de iniciar e/ou manter o sono,
pode ter inúmeras causas. Desde psicopatologias mais sérias, como autismos que
variam em diversos graus, ou psicoses por parte da criança, até questões
psicopatológicas dos pais, como bipolaridade, depressão, transtornos de
ansiedade, dentre outros.
Não é como uma receita de bolo onde basta replicar. Mesmo as
receitas de bolo quando seguidas a risca muitas vezes não dão certo. Sono e
saúde andam de mãos dadas e o profissional que se propõe a trabalhar com isso
tem uma responsabilidade enorme.
Ele precisa saber, por exemplo, a diferença entre um surto e
um desabafo. Ele precisa saber a diferença entre tristeza e depressão. Entre
excesso de sono e um problema na tireoide. Precisa saber que alguns bebês não
dormem porque sofrem de angústias, de alergia alimentar, de refluxo (muitas
vezes oculto) ou que na família está acontecendo uma crise como iminência de
divórcio, simbiose mãe/filho, regressão de um dos pais, só para citar os mais
comuns.
E onde a gente aprende tudo isso?
Na faculdade de psicologia. Não é em um curso de fim de
semana. São 5 anos em período integral, onde aprendemos sobre anatomia, fisiologia,
genética humana, psico farmacologia, psicopatologia, e muitas outras matérias
além das várias teorias psicológicas e o manejo das situações. Fazemos estágio
com supervisão, provas, trabalhos, seminários e vários estudos que nos
habilitam a trabalhar com o ser humano.
No meu caso especificamente, ainda fiz pós graduação e
depois um mestrado em psicologia clínica focado no sono dos bebês.
Ora, se fosse algo tão simples, para que estudar tanto?
Eu fico pensando, se uma criança tem febre, eu posso
conversar com minha vizinha que tem vários filhos e ela vai dizer o que fazer.
É virose. Dê Novalgina intercalando com Tylenol de 4 em 4 horas. Pronto! Se
piorar muito, e der tempo, leve seu filho a um médico ou pronto socorro, mas só
se for MUITO grave, se não ele não precisa de médico, basta alguém bem
intencionado que já viveu muitas situações como essa e leu bastante sobre o
assunto.
Parece absurdo? Febre pode ser qualquer coisa. Febre baixa 1
ou 2 dias, pode (ou não) ser nada e se resolver sozinha (ou não). Se a criança
tem febre, isso é o SINTOMA de que alguma coisa não vai bem. E só um médico
pode avaliar.
Da mesma forma a insônia do lactante também é um SINTOMA. Se
a criança está sendo avaliada por um pediatra que descartou problemas físicos,
é hora de encaminhar para um psicólogo ou psiquiatra devidamente preparado que
vai trabalhar as causas psicológicas dos pais e do bebê.
Por tanto fica aqui essa reflexão. Se você procura um
pediatra para cuidar do seu filho quando ele tem uma febre, procure um
psicólogo ou psiquiatra devidamente habilitado para cuidar do seu filho quando
ele não dorme bem.
Eu não procuro uma costureira para fazer a sutura de um
ferimento na minha pele. Por mais parecido que seja o trabalho.
Fonte: http://www.tirinhasdoze.com/2010/04/psiquiatra-n-672.html
Um abraço, e boas reflexões,
Renata
Olá Renata! Gostaria muito de adquiri o seu livro, mas ele está esgotado. Há alguma versão digital para compra, ou outra maneira de acesso? Obrigada, Lívia Zina (mãe do Enzo, 1 ano e 3 meses).
ResponderExcluirOi Lívia, a editora está prometendo a segunda edição a um tempão, mas ainda não entregou... Por isso eu fiz alguns videos para ajudar as mães enquanto a segunda edição não chega, é só seguir a sequência : https://www.youtube.com/watch?v=no3-hhd08kk espero ter ajudado, bjs
ResponderExcluirOlá Renata, minha filha tem 2 meses e só dorme 1 2 horas da manhã e msm, assim da muito trabalho pra durmi, ela acorda as 6:00 mama E dorme até as 10. Oque faço, Volto A trabalhar em março já e não sei oque fazer esta muito cansativo.
ResponderExcluir